A Frieze Londres reuniu 95 mil visitantes e mostrou um mercado seletivo, com vendas milionárias na Masters e forte procura por artistas emergentes e obras de médio valor
A Frieze London e a Frieze Masters encerraram suas edições de 2026 com 95 mil visitantes de 108 países e representantes de 426 instituições. As duas feiras reuniram 318 galerias no Regent’s Park e reafirmaram a capacidade de Londres de concentrar colecionadores, museus, curadores e negociações relevantes em uma mesma semana.
O balanço, entretanto, não aponta para uma euforia uniforme. A movimentação ocorreu em “bolsões de calor”: obras raras, artistas com forte demanda e apresentações curatoriais consistentes atraíram disputas, enquanto outras propostas encontraram compradores mais cautelosos. O comportamento reforça a seletividade observada no Relatório Art Basel UBS 2026, com colecionadores mais informados e atentos à qualidade, procedência e relevância institucional.

Jan Brueghel The Elder, Still Life of Flowers in a Stoneware Vase, 1607-1608. Courtesy of Hauser & Wirth.
Um Brueghel de US$ 6,6 milhões no topo das vendas
A principal transação divulgada ocorreu na Frieze Masters. A Hauser & Wirth vendeu Still Life of Flowers in a Stoneware Vase, realizada por Jan Brueghel, o Velho, por volta de 1607 e 1608, por aproximadamente £5 milhões, ou US$ 6,6 milhões. Com procedência ligada à coleção Rothschild, a pintura superou com folga a maior venda da abertura de 2025.
Outros resultados reforçaram o interesse por obras históricas. Quatro pinturas de Alice Neel foram negociadas por valores entre US$ 1,6 milhão e US$ 1,8 milhão cada, uma delas destinada a um museu. Um trabalho de Henry Moore alcançou cerca de £1 milhão, enquanto Le malentendu 23 décembre 1976, de Jean Dubuffet, foi vendido por £950 mil.
Na produção contemporânea, a David Zwirner vendeu uma nova pintura de Michaël Borremans por US$ 1,5 milhão e uma obra de Dana Schutz por US$ 900 mil. Avery Singer chegou a US$ 800 mil, Richard Serra a US$ 750 mil e George Condo a US$ 600 mil.
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O dinamismo também apareceu nas faixas intermediárias. Diversas apresentações da Focus esgotaram, enquanto a Pace vendeu todo o seu estande de pinturas de Marina Perez Simão, com preços de até US$ 250 mil. A brasileira Fortes D’Aloia & Gabriel esgotou a individual de Márcia Falcão no primeiro dia, e a Nara Roesler negociou trabalhos de André Griffo e Maria Klabin por US$ 56 mil e US$ 55 mil.
Esse movimento ajuda a explicar o impacto da Frieze Londres no mercado global. A Masters concentrou os maiores valores e a busca por raridade, enquanto a feira contemporânea funcionou como território de descoberta, com compras institucionais e colecionadores dispostos a avançar quando encontravam obras consideradas realmente disputadas.
O crescimento da presença de compradores da Ásia, Oriente Médio e América Latina ampliou ainda mais esse alcance. A participação de visitantes da Índia e da China mais do que dobrou em relação a 2025, enquanto também houve aumento de públicos vindos do Brasil, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e diferentes mercados europeus.
