Mira Schendel ganha novo impulso global entre Lisson, Frieze e Dia Beacon

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Nova representação internacional, exposições em Londres e uma aquisição histórica pela Dia Beacon ampliam o reconhecimento de Mira Schendel no exterior

Quase quatro décadas após sua morte, Mira Schendel atravessa uma nova fase de reconhecimento internacional. O espólio da artista passa a ser representado mundialmente pela Lisson Gallery, em parceria com a brasileira Gomide&Co, enquanto exposições em Londres e uma importante aquisição institucional reforçam sua presença no circuito global.

A aproximação com a Lisson tem dimensão histórica. Schendel realizou três exposições com a galeria britânica a partir de 1968. Agora, seu retorno ao catálogo conecta essa trajetória inicial a uma estrutura internacional com espaços em Londres, Nova York, Los Angeles, Xangai e Pequim.

A parceria também amplia a capacidade de pesquisa, circulação e inserção institucional de uma obra que já passou por instituições como MoMA e Tate Modern. Para Alex Logsdail, presidente da Lisson, a produção de Schendel dialoga diretamente com a abstração, a poesia concreta e as investigações sobre linguagem que marcam a história da galeria.

Da consagração brasileira a uma presença verdadeiramente global

O novo momento é acompanhado por uma sequência estratégica de projetos. Em Londres, a exposição Mira Schendel: In Transit reúne mais de 70 obras realizadas entre as décadas de 1950 e 1980, incluindo pinturas e trabalhos sobre papel. A mostra evidencia como deslocamento, memória e reinvenção da linguagem atravessaram sua produção.

Mira Schendel também recebe uma apresentação individual na Frieze Masters, realizada de 14 a 18 de outubro no Regent’s Park. Com foco no uso da cor, o projeto revela uma dimensão menos conhecida de sua obra e complementa a atmosfera mais sóbria da exposição londrina.

Outro movimento decisivo é a aquisição de Ondas Paradas de Probabilidade pela Dia Art Foundation, com apoio do colecionador Ken Griffin. Criada para a Bienal de São Paulo de 1969, a instalação é formada por milhares de fios de náilon suspensos e um trecho do Antigo Testamento. Segundo a Gomide&Co, será apenas a segunda obra de um artista latino-americano incorporada pela instituição e a primeira de uma mulher latino-americana.

Ao reunir representação comercial, exposições e entrada em um acervo institucional de referência, essa movimentação ultrapassa uma simples valorização de mercado. Ela reposiciona Mira Schendel dentro de uma narrativa mais ampla da arte do século 20, aproximando sua obra de debates internacionais sobre abstração, minimalismo, filosofia e poesia concreta.

Nascida na Suíça e radicada no Brasil desde 1949, Schendel transformou letras, números, silêncios e transparências em matéria visual. Sua obra nasceu do deslocamento entre países e idiomas. Agora, é justamente essa capacidade de ultrapassar fronteiras que sustenta sua expansão internacional.

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