Com 318 galerias, novas seções curatoriais e obras que atravessam séculos, a Frieze reafirma Londres como ponto de encontro entre criação contemporânea, história da arte e mercado global
Entre 14 e 18 de outubro, a Frieze London e a Frieze Masters voltarão a ocupar o Regent’s Park, reunindo 318 galerias de diferentes continentes. Mais do que duas feiras simultâneas, o evento funciona como um dos principais termômetros do mercado global, concentrando galeristas, artistas, curadores, instituições e colecionadores em uma semana capaz de movimentar toda a cena cultural londrina.
Na Frieze London, 176 galerias com atuação em 43 países e regiões apresentarão principalmente trabalhos recentes. Entre os destaques estão novas pinturas de Dalton Paula, que recuperam biografias e registros de personagens negros historicamente apagados; seis telas monumentais de Albert Oehlen; e obras de Marina Perez Simão inspiradas pela luz e por fenômenos naturais.
A programação inclui ainda a primeira apresentação individual europeia da artista haitiana Myrlande Constant, além de uma escultura de Alex Da Corte com mais de 3,5 metros e uma instalação que reconstruirá o apartamento da era soviética onde Marcin Dudek cresceu, em Cracóvia.

Laurie Smith, My body a map of the city, 2026, oil on linen, 150 x 220 cm. Courtesy of the artist and Wschód
Entre a próxima aposta e a permanência histórica
Uma das áreas mais observadas será novamente a Focus, dedicada a galerias com até 12 anos de existência. Nesta edição, reúne 35 participantes de 17 países, incluindo estreantes de Londres, Mumbai, Milão, Los Angeles, Xangai e Nova York. É nesse setor que a Frieze cumpre uma de suas funções mais estratégicas: apresentar artistas e agentes ainda em consolidação a compradores e instituições internacionais.
A novidade curatorial The Code Universe, organizada por Carol Yinghua Lu, investigará como a cultura popular é produzida e consumida, aproximando a Pop Art e a arte conceitual das práticas digitais contemporâneas. Questões como capitalismo, circulação de imagens, redes sociais e sistemas de cuidado aparecem em obras criadas desde o final dos anos 1970.
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Do outro lado do parque, a Frieze Masters reunirá 142 galerias de 33 países. Antiguidades egípcias, Velhos Mestres, arte asiática, modernismo e produção do pós-guerra serão colocados em diálogo. Entre as atrações está uma escultura egípcia da 26ª dinastia que pode ter inspirado o desenho original da estatueta do Oscar.
A seção introduz também Queering Modernism, percurso dedicado às experiências queer e à representação LGBTQIA+ na arte do século 20. Já a Spotlight continuará recuperando artistas historicamente subestimados, entre eles Pacita Abad e H.A. Karunaratne.
Essa combinação explica a relevância global da Frieze. A feira não opera apenas como plataforma de vendas: participa da formação de valor, reposiciona trajetórias históricas, apresenta novas apostas e aproxima o capital privado da pesquisa curatorial. Ao colocar o que acaba de ser criado diante de objetos produzidos há milênios, Londres transforma a história da arte em um mercado vivo, disputado e continuamente reescrito.
