Art Basel UBS traça um mercado mais ativo, cauteloso e digital

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Relatório Art Basel UBS 2026 revela compradores mais pesquisadores, novos canais de aquisição e uma geração jovem que desafia expectativas sobre o futuro do colecionismo

O mercado de arte está mais digital e diversificado, mas também mais criterioso na tomada de decisões. Esse é o panorama apresentado pelo Art Basel and UBS Survey of Global Collecting 2026, elaborado por Clare McAndrew, fundadora da Arts Economics.

O estudo ouviu 3.100 colecionadores com patrimônio líquido superior a US$ 1 milhão em dez mercados, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, China, França, Alemanha e Japão. A pesquisa analisa não apenas quanto esses compradores investem, mas como descobrem artistas, selecionam obras e se relacionam com galerias, feiras e plataformas digitais.

O gasto médio dos participantes com arte chegou a US$ 124 mil em 2025, aumento de 13% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento, a maior parte do mercado permanece distante das cifras milionárias: no primeiro semestre de 2026, 77% gastaram menos de US$ 50 mil e 84% ficaram abaixo de US$ 100 mil.

As galerias continuam ocupando uma posição central. Cerca de 87% dos entrevistados compraram de dealers, diretamente ou durante feiras. No entanto, 69% também adquiriram obras sem intermediários, por meio de ateliês, encomendas ou Instagram. As vendas diretas de artistas já representam 19% do valor movimentado pelos compradores pesquisados, acima das participações das feiras e dos leilões.

Pesquisa e tecnologia avançam, mas o risco diminui

Antes de comprar, 72% dos colecionadores realizam pesquisas próprias, ante 62% no levantamento anterior. Publicações digitais, redes sociais e ferramentas tecnológicas ganham espaço: 22% utilizaram aplicativos ou inteligência artificial para obter recomendações, percentual que era de apenas 4% em 2024.
O aumento da informação, porém, não se converteu em maior disposição para arriscar. A parcela que comprou obras de artistas recém-descobertos caiu de 66% para 45%, menor nível em cinco anos. O dado sugere uma preferência crescente por trajetórias consolidadas em um cenário ainda atravessado por incertezas.

A geração Z surge como exceção e força de renovação. Entre os jovens milionários ouvidos, o gasto médio atingiu US$ 347 mil em 2025, mais que o dobro do registrado pelas demais gerações. Eles também pesquisam mais, transitam por diferentes categorias e mostram maior abertura a artistas desconhecidos. O recorte, entretanto, corresponde a apenas 9% da amostra e reflete um grupo especialmente rico, com forte influência de patrimônios familiares.

Transparência de preços e segurança das informações pessoais aparecem como as principais preocupações. Ao mesmo tempo, 58% dos entrevistados esperam crescimento do mercado nos próximos 12 meses e 60% mantêm uma visão positiva para a próxima década.

O relatório Art Basel UBS descreve, portanto, um mercado em transformação, não em ruptura. As relações tradicionais permanecem importantes, mas convivem com novos canais, ferramentas e gerações. O comprador de 2026 quer proximidade e tecnologia, desde que acompanhadas por procedência, confiança e informação.

FONTES:
ww.tate.org.uk
www.theartnewspaper.com
www.theguardian.com
www.artreview.com

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