Nova comissão do Turbine Hall converte o espaço monumental da Tate Modern em uma paisagem viva, onde arquitetura, instrumentos e presença humana produzem uma composição em constante mudança.
O artista e compositor Tarek Atoui acaba de ocupar um dos espaços mais simbólicos da arte contemporânea. Em Hold, obra comissionada para o Turbine Hall da Tate Modern, instrumentos, esculturas, recursos eletrônicos e sons captados no ambiente formam uma instalação que se modifica continuamente.
A Touch of Class já havia anunciado a escolha de Tarek Atoui em janeiro. Agora, com a inauguração da obra, torna-se possível compreender como o artista respondeu às dimensões, às correntes de ar e à acústica da antiga central elétrica londrina.
Aberto ao público até 11 de abril de 2027, o projeto reúne trompas, tambores, gongos, pedras sonoras e tecidos de 20 metros. Microfones captam os instrumentos, os visitantes e os ruídos da arquitetura; sistemas computacionais processam esses sons e os devolvem ao espaço como novas camadas da composição.
Nascido em Beirute e radicado em Paris, Atoui trabalha há mais de duas décadas na fronteira entre música, escultura, tecnologia e pesquisa social. Seus instrumentos são desenvolvidos com músicos, engenheiros e artesãos, reunindo referências como órgãos de boca asiáticos, tambores coreanos e trompas cerimoniais do Uzbequistão.
Um espaço que consagra projetos de escala histórica
Hold é a 11ª edição da Hyundai Commission, programa anual que convida artistas a criar obras específicas para a arquitetura industrial do Turbine Hall. Mais de 21 milhões de visitantes passaram pelas comissões realizadas desde o início da parceria.
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O espaço tornou-se uma vitrine de alcance global para obras que desafiam não apenas a escala, mas a própria relação entre arte e público. Louise Bourgeois inaugurou o programa com torres e uma aranha monumental. Anish Kapoor apresentou a estrutura vermelha de Marsyas; Doris Salcedo abriu uma fissura no piso; e Ai Weiwei cobriu o salão com milhões de sementes de porcelana.
Olafur Eliasson criou um sol artificial em The Weather Project, projeto que transformou o Turbine Hall em um espaço de experiência coletiva. Mais recentemente, Kara Walker, Cecilia Vicuña, El Anatsui, Anicka Yi, Mire Lee e Máret Ánne Sara também ocuparam o local.
O convite coloca Atoui nessa linhagem de artistas reconhecidos pela consistência de suas pesquisas e pela capacidade de repensar arquitetura, participação e percepção. Em Hold, o monumento industrial deixa de ser cenário. O próprio Turbine Hall torna-se instrumento, caixa de ressonância e lugar de encontro.
Fontes
www.tate.org.uk
www.theartnewspaper.com
www.theguardian.com
www.artreview.com
