

Detalhe de obra que apresenta oxidação
As obras de arte, incluindo fotografias, possuem um valor artístico e financeiro elevado. Muitos colecionadores e apreciadores se perguntam como seria possível manter seu bom estado de conservação ao longo do tempo. Sabemos que todo material, principalmente o papel – que é o suporte da maioria das pinturas e fotografias – sofre muito com a umidade, luz e radiação UV, poluentes, entre outros fatores presentes na atmosfera. Como consequência, há o aparecimento de fungos, bolor, amarelecimento e rachaduras ou craquele na tinta, causando a deterioração das obras de arte. Identificamos abaixo alguns dos principais fatores que provocam o processo de degradação e algumas dicas valiosas para proteger sua obra de arte e fotografia.
É notória, especialmente num país tropical, a presença da umidade excessiva e a sua variação no meio ambiente. Os níveis altos de umidade e suas oscilações causam a deterioração e fadiga de materiais orgânicos. Além de intervir em reações de degradação, favorece a criação de micro-climas onde os fungos, bactérias e outros microorganismos se desenvolvem mais facilmente. Estes não só colonizam sapatos, roupas e outros objetos em armários, mas também obras de arte, principalmente os com suporte em papel como gravuras, litografias, xilogravuras, guaches, aquarelas, desenhos em nanquim, fotografias e outros. Inicialmente, são apenas pequenos pontinhos escuros de cor acastanhada ou avermelhada. Em seguida, há um aumento que leva ao surgimento de pequenas manchas com formato circular. Estas, eventualmente, se estendem para a superfície toda da obra.
Existem poucas soluções viáveis para uma questão aparentemente tão trivial. Uma delas e combater a umidade excessiva lavando ou higienizando as obras e emoldurando com novo passe partout periodicamente. Também é possível criar um controle da qualidade do ambiente onde a obra está exposta, mantendo adequados os níveis de temperatura, umidade relativa do ar, exposição à luz e qualidade do ar. Outra opção, mais moderna, é usar sistemas que isolam a obra do meio ambiente através de um encapsulamento com vidro.
É de extrema importância tomar estes cuidados com suas obras de arte. Da mesma forma que a nossa pele “queima” no sol sem o filtro solar, a matéria orgânica como têxteis, papel, corantes orgânicos e até certos pigmentos também sofrem quando expostos a radiação UV. A energia desses raios acelera os processos de degradação como a oxidação (foto-oxidação). Essas reações são irreversíveis e cumulativas, isto é, a cada dia esses objetos se degradam mais, mesmo que isso não seja visível a olho nu. A exposição direta deve ser evitada não só pela presença da radiação como pelo excesso de temperatura. A energia desses raios acelera os processos de degradação (oxidação), o que é facilmente verificável quando deixamos um jornal parcialmente coberto por um objeto perto de uma janela onde bata o sol. Após horas ou poucos dias, o papel já ficou bem mais amarelado na parte exposta, se comparado com a parte coberta. Essa situação é um fator comum a todo material que tem como suporte o papel.
A presença de oxigênio é também uma das principais causas de degradação dos materiais orgânicos, ele desencadeia reações de degradação como a oxidação (uma queima lenta dos materiais). Quando os objetos estão submetidos a uma atmosfera sem oxigênio, estas reações não poderão ocorrer e grande parte dos processos de degradação de matérias orgânicas mortas é impedida, independentemente da presença de outros agentes de degradação. Assim, uma obra de arte que permaneça numa atmosfera livre deste elemento terá seu estado de conservação estabilizado por tempo indeterminado.
Publicado em novembro/2011
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