Wassan Al-Khudhairi comandará a Art Basel Qatar 2027, que acontece em janeiro em Doha com o tema “between / بين”
Wassan Al-Khudhairi foi nomeada diretora artística da Art Basel Qatar 2027, marcada para 28 a 30 de janeiro, com previews em 26 e 27. Ex-diretora fundadora do Mathaf, em Doha, a curadora assume a segunda edição da feira.
Esta escolha sucede a direção artística de Wael Shawky, responsável pela edição inaugural, realizada em fevereiro de 2026. Na estreia, a feira reuniu cerca de 87 galerias e adotou um formato integralmente baseado em apresentações solo de artistas, sob o tema “Becoming”. Para 2027, a estrutura com curadoria será mantida, agora com o tema “between / بين”, voltado a ideias de troca, fluidez e diálogo aberto.
A nomeação de Al-Khudhairi indica a intenção da Art Basel de consolidar em Doha uma feira com identidade própria, mais próxima de uma plataforma curatorial do que de um modelo tradicional de estandes sucessivos. Em vez de replicar o ritmo acelerado de outras praças, a versão qatari aposta em apresentações concentradas, leitura espacial mais pausada e maior articulação com instituições locais.
Wassan Al-Khudhairi e a construção de um ecossistema em Doha
A trajetória da iraquiana Wassan Al-Khudhairi ajuda a explicar a escolha. Entre 2007 e 2012, ela foi diretora fundadora do Mathaf: Arab Museum of Modern Art, em Doha, onde acompanhou a abertura da instituição em 2010 e organizou exposições como “Sajjil: A Century of Modern Art” e “Cai Guo-Qiang: Saraab”. Também atuou como curadora no Birmingham Museum of Art, como curadora-chefe do Contemporary Art Museum St. Louis e integrou projetos como a Gwangju Biennale, a Asian Art Biennial em Taiwan e a Hawai‘i Triennial.
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Vincenzo de Bellis, chief artistic officer e diretor global de feiras da Art Basel, destacou justamente essa combinação entre experiência regional e circulação internacional. Segundo ele, Al-Khudhairi compreende não apenas a curadoria, mas também os mecanismos de formação de instituições, desenvolvimento de mercados, educação e engajamento público.
Esse ponto é central para a Art Basel Qatar. A primeira edição funcionou menos como uma feira de grandes resultados imediatos e mais como um exercício de aproximação entre galerias internacionais, colecionadores da região e o projeto cultural de Doha. A segunda edição terá o desafio de transformar curiosidade em frequência, e presença institucional em confiança de mercado.
A feira também ampliará o setor Special Projects, com apresentações imersivas e de maior escala. Os detalhes ainda serão anunciados, mas a direção já está clara: Art Basel Qatar quer ocupar um espaço entre mercado, instituição e diplomacia cultural, sem se limitar ao papel de vitrine comercial.

