Recordes nos leilões de maio mostram mercado seletivo, mas ainda disposto a pagar por obras raras

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Leilões de maio em Nova York registraram 17 recordes, com Pollock, Rothko e Brancusi liderando a disputa por obras de alta procedência

A semana de leilões de maio em Nova York terminou com 17 novos recordes de artistas, em um dos ciclos mais fortes dos últimos anos para o mercado de arte. O desempenho foi puxado por coleções de alta procedência, incluindo S.I. Newhouse, Agnes Gund, Robert Mnuchin e Marian Goodman, nomes que ajudaram a concentrar atenção, capital e disputa em obras com histórico institucional consistente.

A Christie’s liderou a temporada ao movimentar mais de US$ 1,1 bilhão em duas vendas consecutivas. A coleção de S.I. Newhouse somou US$ 631 milhões, com destaque para Number 7A (1948), de Jackson Pollock, vendida por US$ 181,2 milhões. O resultado quase triplicou o recorde anterior do artista e colocou a obra entre as quatro mais caras já vendidas em leilão.

Outro marco veio com Danaïde (c. 1913), de Constantin Brâncuși, arrematada por US$ 107,6 milhões. A escultura se tornou a segunda mais cara já vendida em leilão, atrás apenas de L’Homme au doigt, de Alberto Giacometti. Na mesma noite, Mark Rothko, Joan Miró e Alice Neel também alcançaram novas máximas em leilão.

Jackson Pollock, Number 7A, 1948. Photo: Christie’s Images Ltd.

Jackson Pollock, Number 7A, 1948. Photo: Christie’s Images Ltd.

Recordes de maio indicam força em obras com procedência

Artista Nome da obra, data Valor
Jackson Pollock Number 7A, 1948 US$ 181,185,000
Constantin Brâncuși Danaïde, c. 1913 US$ 107,585,000
Mark Rothko No. 15 (Two Greens and Red Stripe), 1964 US$ 98,385,000
Joan Miró Portrait de Madame K., 1924 US$ 53,535,000
Alice Neel Mother and Child (Nancy and Olivia), 1967 US$ 5.7 milhões
Kenneth Noland Circle, 1978 US$ 5,488,000
Harald Slott-Møller Summer Day (Sommerdag), 1888 US$ 1,290,000
Peder Severin Krøyer Self-Portrait, Sitting by His Easel at Skagen Beach, 1902 US$ 1,290,000
Yu Nishimura Leaves carpet, 2017 US$ 998,400
Pat Passlof Fortune, 1960 US$ 580,500
Edvard Eriksen The Little Mermaid, c. 1910–13 US$ 541,000
Joseph Yaeger There is a light and it always goes out, 2021 US$ 477,300
Ding Shilun Three Princes, 2022 US$ 358,400
Florian Krewer night hunters, 2022 US$ 256,000
Kikuo Saito Cerise, 2009 US$ 245,100
March Avery Molly in the Gazebo, 1982 US$ 141,900
Woody de Othello At Night I Can’t Sleep, 2018 US$ 54,180

Os resultados mostram um mercado menos eufórico em volume, mas ainda muito competitivo quando aparecem obras raras, bem documentadas e ligadas a coleções reconhecidas. O caso de Pollock é exemplar: Number 7A não era exibida publicamente desde 1977 e permaneceu por 25 anos na coleção Newhouse. Já o Rothko vendido a partir da coleção de Agnes Gund havia sido comprado diretamente do artista em 1967.

A lista também revela uma ampliação de interesse para além dos nomes históricos do pós-guerra. Artistas como Yu Nishimura, Joseph Yaeger, Ding Shilun, Florian Krewer e Woody de Othello indicam que o ultra-contemporâneo segue ativo, embora concentrado em trajetórias com visibilidade institucional recente e oferta ainda restrita.

Na Phillips, os recordes de Harald Slott-Møller, Peder Severin Krøyer e Edvard Eriksen chamaram atenção pela valorização de artistas ligados à tradição nórdica. O resultado de Summer Day, de Slott-Møller, vendido por US$ 1,29 milhão contra estimativa máxima de US$ 50 mil, foi um dos saltos mais inesperados da semana.

A temporada confirma um ponto importante para colecionadores: em 2026, a disputa continua forte, mas o mercado está escolhendo melhor. Procedência, raridade, escala, histórico expositivo e narrativa de coleção pesam tanto quanto o nome do artista.

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