Coleção Zabludowicz terá 106 obras em leilões da Christie’s em junho, com Guston, Milhazes, Hirst, Prince e Bradford
A Christie’s anunciou a venda de 106 obras da Coleção Zabludowicz, formada por Anita e Poju Zabludowicz desde 1994. Intitulada “Beyond Ordinary: Then. Now. Next. Works from the Zabludowicz Collection”, a oferta será dividida entre um leilão presencial em Londres, marcado para 25 de junho, e uma venda online, aberta entre 18 e 30 de junho. A estimativa total fica em torno de £15 milhões.
A venda marca a primeira aparição pública em leilão de uma parte relevante do acervo, que hoje reúne mais de 5 mil obras. Ao longo de três décadas, a coleção se tornou uma das mais conhecidas do circuito contemporâneo europeu, especialmente pelo apoio a artistas emergentes, novas mídias, experimentação formal e vozes historicamente menos representadas.
O lote principal é Mirror Head (1977), de Philip Guston, estimado entre £3,5 milhões e £5,5 milhões. A pintura pertence à fase figurativa tardia do artista e concentra algumas das questões que definem sua produção desse período, como inquietação psicológica, dúvida e tensão existencial.
Coleção Zabludowicz reflete três décadas de apostas no contemporâneo
Entre os destaques também está Moinho vermelho (1999-2000), de Beatriz Milhazes, com estimativa entre £600 mil e £800 mil. A obra articula referências do modernismo europeu com cor, ritmo e ornamentação associados à produção da artista brasileira, um dos nomes latino-americanos mais consistentes no mercado internacional.
Damien Hirst aparece com I Love You (1994-1995), estimado entre £600 mil e £800 mil. A obra integra uma série de pinturas com borboletas realizada pouco antes de o artista receber o Turner Prize, em 1995, e dialoga com sua instalação In and Out of Love (1991), um dos trabalhos centrais de sua trajetória.
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A seleção inclui ainda Untitled (Cowboy) (1994), de Richard Prince, estimado entre £800 mil e £1,2 milhão, além de Farther South and Elsewhere (2016), de Mark Bradford, com estimativa entre £1 milhão e £1,5 milhão. Também entram na venda obras de Rose Wylie, Yoshitomo Nara, Takashi Murakami, Antony Gormley, Charline von Heyl, Henry Taylor, Albert Oehlen e Rashid Johnson.
A coleção ganhou projeção institucional a partir de seu espaço sem fins lucrativos no norte de Londres, inaugurado em 2007 e fechado em 2023. O projeto ficou conhecido por apresentar artistas em momentos importantes de suas carreiras e por introduzir nomes internacionais ao público britânico. Após o encerramento do espaço, a família informou que manteria sua atuação por meio de empréstimos, doações, projetos em Sarvisalo, na Finlândia, e novas iniciativas.
A venda acontece também em um momento de transição geracional. Anita Zabludowicz descreveu o leilão como uma etapa de abertura da coleção para novos destinos, permitindo que obras sigam para outros colecionadores e instituições. Tiffany Zabludowicz, diretora da coleção, tem ampliado o foco para novas práticas, residências artísticas e apoio a gerações mais jovens.
Para o mercado, a operação reúne dois elementos de forte apelo em 2026: obras quase inéditas em leilão e procedência ligada a uma coleção reconhecida. Mais do que uma dispersão pontual, a venda indica uma reorganização de acervo, comum entre coleções privadas que atravessam mudanças familiares, institucionais e estratégicas.

