Exposição do Turner Prize reúne em Middlesbrough os quatro indicados de 2026, com obras atravessadas por luto, exploração, crise ambiental, memória e desigualdade.
A exposição do Turner Prize 2026 abriu ao público no Middlesbrough Institute of Modern Art, o MIMA, reunindo trabalhos de Simeon Barclay, Kira Freije, Marguerite Humeau e Tanoa Sasraku.
Em cartaz até 29 de março de 2027, a mostra apresenta quatro práticas distintas, conectadas por uma percepção comum: a de um mundo submetido a crises ambientais, estruturas de poder e formas persistentes de desigualdade.
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A realização em Middlesbrough também amplia o alcance simbólico do prêmio. A mais de 400 quilômetros de Londres e marcada por sua história industrial, a cidade oferece outro contexto para obras que discutem extração de recursos, transformações urbanas, identidade de classe e as consequências das promessas de progresso.

Simeon Barclay, The Ruin, Turner Prize 2026. Installation view at MIMA, Middlesbrough Institute of Art. Photo: David Levene
Quatro respostas para um mundo em tensão
Tanoa Sasraku apresenta Morale Patch, instalação construída a partir de objetos e materiais ligados ao petróleo, à guerra e ao extrativismo. Entre eles estão pesos de papel corporativos contendo pequenas quantidades de óleo bruto e tecidos inspirados nas fitas de condecorações militares. O trabalho questiona como violência, exploração e trauma podem ser convertidos em símbolos de poder e prestígio.
Em Unspeak the Chorus, Kira Freije reúne figuras humanas e animais feitas com estruturas de aço e fragmentos corporais moldados em alumínio. Suspensos entre presença e ruína, esses personagens parecem atravessar momentos de afeto, desamparo e solidariedade. A iluminação refletida e uma névoa delicada transformam o conjunto em uma paisagem instável, aberta às projeções do público.

Tanoa Sasraku, Morale Patch, Turner Prize 2026. Installation view at MIMA Middlesbrough Institute of Art. Photo: David Levene.
Marguerite Humeau cria com Torches um ambiente de luto e regeneração. Uma elefanta em seus instantes finais, esculturas semelhantes a fungos, sons e materiais orgânicos compõem um ecossistema imaginário no qual a morte não aparece como encerramento, mas como parte de um ciclo de transformação e sobrevivência.
Já Simeon Barclay converte The Ruin, originalmente uma performance, em uma instalação de andaimes, imagens, luzes e vídeo. A construção da rodovia M62, que atravessou o norte da Inglaterra prometendo mobilidade e prosperidade, serve como ponto de partida para uma reflexão sobre classe, masculinidade, memória familiar e as ambiguidades do desenvolvimento britânico.

Marguerite Humeau. Turner Prize 2026. MIMA (Middlesbrough Institute of Modern Art). Middlesbrough, UK. Photograph by David Levene
Esta exposição com os indicados ao Turner Prize não antecipa um vencedor, mas demonstra porque a premiação permanece relevante: ao reunir linguagens divergentes, transforma o julgamento artístico em debate público. O resultado será anunciado em 10 de dezembro.
