Em sua 37ª edição, o top 200 colecionadores da ARTnews reúne compradores, mecenas e fundadores de museus capazes de influenciar o mercado e a memória cultural
A ARTnews divulgou a edição de 2026 de seu top 200 colecionadores, seleção anual dedicada às personalidades que exercem maior influência sobre o mercado e as instituições de arte. Publicada desde 1990, a lista chega ao 37º ano mostrando que o poder de um colecionador já não pode ser medido apenas pelo valor ou pela quantidade das obras que possui.
O grupo reúne nomes ligados a setores como tecnologia, finanças, mercado imobiliário, indústria, entretenimento e artigos de luxo. Entre eles estão Jeff Bezos, fundador da Amazon, Hélène e Bernard Arnault, do conglomerado LVMH, além de colecionadores que transformaram acervos particulares em museus, fundações e programas de apoio à produção artística.
É o caso de Emily Wei e Mitchell Rales, criadores do Glenstone, em Maryland, instituição que combina arte, arquitetura e paisagem. Becky Gochman, por sua vez, construiu uma das coleções mais relevantes de arte indígena contemporânea, enquanto Estrellita e Daniel Brodsky se destacam pelo apoio à arte latino-americana e por sua atuação junto a instituições como Metropolitan Museum of Art, MoMA e Tate.
Colecionar como forma de participar do sistema
A seleção evidencia diferentes perfis. Há compradores voltados aos grandes nomes da história da arte, colecionadores especializados em determinados territórios e linguagens e mecenas interessados em preencher lacunas deixadas por museus e narrativas tradicionais.
Entre os brasileiros aparece Pedro Barbosa, cuja coleção, sediada em São Paulo, concentra-se em arte conceitual e materiais de arquivo. Sua presença representa um modelo de colecionismo guiado menos pela consagração comercial e mais pela pesquisa, pelo acompanhamento continuado dos artistas e pela preservação de documentos e processos. Além dele, aparecem ainda Genny e Selmo Nissenbaum, Bernardo Paz, Andrea e José Olympio Pereira.
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O tema escolhido pela ARTnews para 2026, “O ano da obra-troféu”, parte da retomada das vendas acima de US$ 100 milhões, mas a própria lista questiona essa ideia. Para alguns dos selecionados, uma obra importante não é necessariamente a mais cara: pode ser aquela que corrige uma ausência histórica, inaugura uma linha de pesquisa ou estabelece uma relação duradoura com determinado artista.
As aquisições recentes aparecem como extensão desses perfis. Elas vão de antigos mestres à produção contemporânea, passando por arte indígena, afro-americana, latino-americana e conceitual. Mais do que revelar quem pode comprar, o top 200 colecionadores mostra quem participa da definição do que será preservado, exibido e reconhecido como relevante no futuro.
