Primeira edição da Time 100 Art desenha o novo mapa de poder da arte

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A lista inédita Time 100 Art reconhece os nomes que moldam a arte contemporânea e reúne diferentes gerações, linguagens e formas de influência

A revista Time acaba de ampliar sua tradicional cartografia do poder com o lançamento da primeira edição da Time 100 Art, lista dedicada às personalidades mais influentes do circuito artístico internacional. Artistas, curadores, diretores de museus, galeristas, colecionadores e outros agentes foram reunidos em um panorama que procura mostrar não apenas quem produz arte, mas também quem determina como ela circula, ganha visibilidade e entra para a história.

Metade dos cem nomes selecionados é formada por artistas. A capa, ocupada pela pintora norte-americana Amy Sherald em retrato feito pelo fotógrafo Tyler Mitchell, é um acontecimento à parte: havia cerca de 50 anos que a revista não dedicava esse espaço a um pintor vivo.

Conhecida por renovar a tradição do retrato ao colocar pessoas negras no centro de narrativas sobre identidade e pertencimento, Sherald sintetiza uma das forças que atravessam a seleção: a capacidade da arte de disputar representações e transformar a percepção coletiva.

Entre a pintura histórica e as novas tecnologias

A Time 100 Art aproxima trajetórias consagradas, como as de Gerhard Richter, Kerry James Marshall e Maurizio Cattelan, de artistas que vêm ampliando os limites das linguagens visuais. Entre eles estão Jeffrey Gibson, primeiro artista indígena a representar individualmente os Estados Unidos na Bienal de Veneza; Hito Steyerl, referência na investigação das imagens digitais; e Refik Anadol, que utiliza inteligência artificial e grandes volumes de dados em instalações imersivas.

A lista inclui ainda Banksy, JR e KAWS, artistas cuja circulação ultrapassa museus e galerias, além de nomes como Cameron Rowland, Amalia Mesa-Bains e Christine Sun Kim, cujas práticas abordam os legados da escravidão, as identidades latinas e a experiência da surdez. O pintor Salman Toor também aparece na seleção, reconhecido por retratar intimidade, deslocamento e pertencimento a partir da experiência queer e imigrante.

Mais do que estabelecer uma classificação definitiva, a estreia da Time 100 Art funciona como um retrato do poder cultural em movimento. Ao reunir pintura, instalação, arte urbana, práticas conceituais e experimentações digitais, a revista revela um campo no qual influência já não depende de uma única linguagem, instituição ou geografia.

A presença dos demais profissionais reforça essa leitura. A arte nasce nos ateliês, mas sua projeção é construída por uma rede que envolve museus, galerias, feiras, coleções e financiamento. Ainda assim, são os artistas visuais que fornecem o eixo mais potente da seleção: criadores capazes de converter questões políticas, tecnológicas e sociais em novas maneiras de ver o mundo.

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