Jenny Holzer e Andy Goldsworthy vencem o Praemium Imperiale 2026

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Considerado do “Nobel das Artes”, o prêmio reconhece duas trajetórias que expandiram as fronteiras das artes visuais: a palavra política de Jenny Holzer e as intervenções na paisagem de Andy Goldsworthy

Jenny Holzer e Andy Goldsworthy estão entre os vencedores do Praemium Imperiale de 2026, uma das mais importantes distinções internacionais dedicadas às artes. A artista norte-americana foi reconhecida na categoria pintura, enquanto o britânico recebeu o prêmio de escultura.

Concedido pela Japan Art Association desde 1989, o Praemium Imperiale contempla anualmente cinco áreas: pintura, escultura, arquitetura, música e teatro/cinema. Cada laureado recebe 15 milhões de ienes, aproximadamente US$ 95 mil, além de uma medalha que será entregue em cerimônia marcada para 28 de outubro, em Tóquio.

Embora premiada como pintora, Holzer construiu uma obra que ultrapassa as divisões tradicionais entre linguagens. Desde o final dos anos 1970, seus textos ocupam cartazes, fachadas, projeções, painéis eletrônicos e espaços institucionais. Em séries como Truisms e Inflammatory Essays, frases curtas e provocadoras transformam a palavra em instrumento visual de tensão política, abordando poder, violência, medo e controle social.

Goldsworthy, por sua vez, desenvolve há cinco décadas uma investigação sobre a relação humana com a paisagem. Folhas, pedras, galhos, neve e gelo são organizados em intervenções permanentes ou efêmeras, muitas vezes registradas apenas pela fotografia antes que o vento, o degelo ou a passagem do tempo desfaçam o trabalho.

Um prêmio construído por grandes trajetórias

Os dois artistas visuais dividem a edição de 2026 com o arquiteto Daniel Libeskind, o maestro Herbert Blomstedt e a atriz Cate Blanchett. O Praemium Imperiale também concedeu uma bolsa de 5 milhões de ienes à organização francesa La Source Garouste, que promove oficinas artísticas para cerca de 10 mil crianças em situação de vulnerabilidade por ano. Praemium Imperiale.

Frequentemente chamado de “Nobel das Artes”, o Praemium Imperiale reúne em sua história alguns dos nomes mais determinantes da criação moderna e contemporânea. Entre os vencedores das artes visuais estão Willem de Kooning, David Hockney, Niki de Saint Phalle, Mona Hatoum, Sebastião Salgado e Vija Celmins.

As edições mais recentes reforçam essa amplitude: Olafur Eliasson venceu em escultura em 2023; Sophie Calle e Doris Salcedo foram premiadas em 2024; e Peter Doig e Marina Abramović receberam as distinções de pintura e escultura em 2025.

Ao aproximar Holzer e Goldsworthy, a seleção deste ano evidencia duas maneiras radicalmente diferentes de intervir no mundo. Uma faz a linguagem invadir o espaço público; a outra permite que a própria natureza determine a duração da obra.

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