SP-Arte Rotas amplia o mapa da arte latino-americana em São Paulo

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Com 70 galerias e projetos especiais, a quinta edição da feira aproxima diferentes territórios, desafia a centralização do circuito e fortalece conexões entre a produção brasileira e seus vizinhos

Criada em 2022 para iluminar produções que ainda circulavam pouco no principal eixo do mercado, a SP-Arte Rotas chega à quinta edição com uma posição mais definida no calendário cultural. Menor e mais concentrada do que a SP-Arte de abril, a feira utiliza justamente essa escala para favorecer a descoberta de artistas, galerias e projetos que ajudam a redesenhar a cartografia da arte latino-americana.

Realizada de 26 a 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo, a edição de 2026 reúne 70 galerias, museus e iniciativas especiais. Estão representadas as cinco regiões brasileiras, ao lado de participantes da Argentina, Uruguai, Colômbia e Itália. Mais do que ampliar a lista internacional, essa presença aproxima contextos atravessados por questões comuns, como território, memória, ancestralidade, colonialismo, ecologia e resistência.

Adriana Varejão,

Adriana Varejão, “Polvo Color Wheel III”, 2013. Foto: Divulgação

SP-Arte Rotas: uma feira para deslocar centros e criar conexões

A relevância da SP-Arte Rotas está em romper com uma leitura da arte brasileira concentrada entre São Paulo e Rio de Janeiro. Galerias do Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia e Centro-Oeste dividem espaço com nomes consolidados do mercado e com casas estrangeiras, como Barro, Isla Flotante e W–galería, da Argentina; Sur, do Uruguai; e Casa Zirio, da Colômbia.

A proposta também abre passagem para modelos que extrapolam a estrutura comercial tradicional. Entre os projetos convidados estão o Sertão Negro, ateliê-escola fundado por Dalton Paula em Goiânia; a Galeria Ocupá, voltada à conexão entre territórios periféricos e o circuito artístico carioca; e a Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea, espaço coletivo sediado em Boa Vista. A Casa do Povo apresenta ainda pinturas de artistas maxakali da Aldeia-Escola-Floresta, em Minas Gerais.

Sob a direção artística do curador e pesquisador Bernardo Mosqueira, a feira estabelece diálogos entre diferentes gerações, linguagens e geografias. Artistas consagradas, como Adriana Varejão, aparecem ao lado de nomes como La Chola Poblete, Chonon Bensho, Roxinha Lisboa e Jane Batista, cujas obras colocam em circulação perspectivas indígenas, periféricas, femininas e dissidentes.

Ao reunir territórios historicamente tratados como margens, a SP-Arte Rotas não apenas apresenta um panorama mais diverso. A feira reivindica a América Latina como centro de produção intelectual e estética, capaz de construir seus próprios circuitos, referências e caminhos de legitimação.

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