As duas feiras ocupam o COEX em setembro e ajudam a transformar Seoul em um dos principais pontos de encontro do calendário artístico asiático
Todo mês de setembro, Seoul concentra uma intensa agenda de arte contemporânea. Galerias inauguram exposições, museus e espaços independentes apresentam programas especiais e colecionadores, curadores e profissionais do setor se reúnem na cidade em torno de dois eventos centrais: Kiaf Seoul e Frieze Seoul.
Em 2026, as duas feiras acontecem no COEX, em datas praticamente simultâneas. A Kiaf será realizada de 2 a 6 de setembro, sob o tema “Coexistence”, enquanto a Frieze Seoul acontece de 2 a 5 de setembro, em sua quinta edição, reunindo mais de 125 galerias de 30 países.
Frieze Seoul amplia diálogo entre Ásia e circuito internacional
A diferença entre as duas feiras ajuda a compreender o momento da cena artística de Seul. Criada em 2002, a Kiaf é a principal feira internacional da Coreia do Sul e mantém forte vínculo com o sistema local de galerias. Sua programação permite observar quais artistas, obras e linguagens vêm sendo valorizados pelas galerias coreanas, que historicamente acompanham e representam esses nomes.
A Frieze Seoul, por sua vez, opera a partir de uma rede internacional de galerias e mídia, mas com forte ancoragem regional: mais de 70% das galerias participantes em 2026 são sediadas na Ásia-Pacífico. A feira também reflete a presença crescente de galerias internacionais com espaços permanentes em Seul, reforçando a cidade como polo estratégico do mercado asiático.
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Entre os destaques da Frieze Seoul estão as seções Focus, Spotlight e Material Practice. Focus apresenta estandes individuais de artistas representados por galerias jovens. Spotlight revisita artistas do século 20 que receberam menor atenção nas narrativas históricas e de mercado. Já Material Practice investiga os cruzamentos entre arte contemporânea, design, artesanato e experimentação material.
Na Kiaf, a seção PLUS cumpre papel importante ao apresentar galerias jovens e artistas emergentes, enquanto o tema “Coexistence” propõe reflexões sobre natureza e artificialidade, trabalho manual e tecnologia, tradição e novas mídias.
A circulação entre as duas feiras permite perceber como um mesmo artista pode ser lido de formas distintas. Em uma galeria coreana, a ênfase pode recair sobre sua trajetória local e seu desenvolvimento ao longo do tempo. Em uma galeria internacional, a obra pode ser situada em diálogo com artistas de outras regiões, ampliando seu contexto de leitura.
Mais do que comparar tamanho ou número de participantes, Kiaf e Frieze Seoul evidenciam diferentes formas de expertise. A primeira revela a profundidade do mercado coreano e sua relação continuada com artistas locais. A segunda posiciona Seul dentro de uma rede global de galerias, coleções e discursos curatoriais.
Juntas, as feiras consolidam a Seoul Art Week como um momento de observação privilegiado sobre o mercado asiático e sobre os novos modos de apresentação, valorização e circulação da arte contemporânea.
Com informações do K-Artnow

