Vendas da Christie’s em Nova York confirmam retomada do mercado de altíssimo padrão, com recordes históricos para Pollock, Rothko, Brancusi e Miró
A Christie’s protagonizou uma das noites mais expressivas do mercado de arte recente ao arrecadar US$ 1,1 bilhão em vendas durante dois leilões consecutivos realizados em Nova York. A soma inclui a venda “Masterpieces: The Private Collection of S.I. Newhouse” e o tradicional “20th Century Evening Sale”, ambos marcados por disputas intensas, recordes históricos e forte presença de colecionadores internacionais.
O principal destaque da noite foi Number 7A (1948), de Jackson Pollock, vendida por US$ 181,2 milhões com taxas. A obra estabeleceu um novo recorde absoluto para o artista e se tornou uma das pinturas mais caras já vendidas em leilão. O trabalho, considerado uma das maiores drip paintings ainda em mãos privadas, não era exibido publicamente desde 1977.
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Outro resultado histórico veio com Danaïde (1913), de Constantin Brancusi, arrematada por US$ 107,6 milhões. A escultura tornou-se a segunda mais cara já vendida em leilão, atrás apenas de uma obra de Alberto Giacometti negociada em 2015.
Christie’s e o novo apetite por obras “museum grade”
A venda da coleção de S.I. Newhouse, ex-proprietário da Condé Nast, alcançou sozinha US$ 631 milhões e confirmou a força das coleções single-owner como um dos motores centrais do mercado atual. O conjunto reuniu apenas 16 obras, todas vendidas, incluindo trabalhos de Picasso, Mondrian, Warhol, Jasper Johns, Francis Bacon e Joan Miró.
Entre os destaques, Portrait de Madame K (1924), de Miró, alcançou US$ 53,5 milhões e estabeleceu um novo recorde para o artista. Já Tête de femme (1909), de Pablo Picasso, foi vendida por US$ 14,5 milhões, quase o dobro da estimativa máxima.

Rothko, No. 15 (Two Greens and Red Stripe) vendido por US$ 98.4 million. CHRISTIE’S IMAGES LTD. 2026
Na sequência, o “20th Century Evening Sale” adicionou mais US$ 490,3 milhões ao total da noite. O lote principal foi No. 15 (Two Greens and Red Stripe) (1964), de Mark Rothko, arrematado por US$ 98,4 milhões. A pintura, proveniente da coleção da filantropa Agnes Gund, superou o recorde anterior do artista, estabelecido em 2012.
O leilão também registrou novos recordes para Alice Neel, Remedios Varo e Henri Matisse em trabalhos sobre papel, além de resultados sólidos para Roy Lichtenstein, Cy Twombly, Monet, Renoir e Warhol.
Os resultados reforçam um movimento que vem se consolidando nos últimos meses: a concentração de capital em obras raras, com procedência impecável e relevância institucional. Em um cenário global ainda marcado por cautela econômica, o topo do mercado segue demonstrando forte liquidez para trabalhos considerados irreplicáveis dentro da história da arte moderna e contemporânea.

