Dian Suci vence o 10º Max Mara Art Prize for Women

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Esta é a primeira vez que uma artista indonésia vence o Max Mara Art Prize, em um ciclo que marca a expansão global do prêmio

A artista indonésia Dian Suci foi anunciada como vencedora da 10ª edição do Max Mara Art Prize for Women. Residente em Yogyakarta, ela foi escolhida entre cinco finalistas, em uma lista que também incluía Betty Adii, Dzikra Afifah, Ipeh Nur e Mira Rizki. A seleção foi conduzida por um júri presidido por Cecilia Alemani, curadora do prêmio, e formado por Venus Lau, diretora do Museum MACAN, a curadora Amanda Ariawan, a galerista Megan Arlin, a colecionadora Evelyn Halim e a artista Melati Suryodarmo.

Criado em 2005, o Max Mara Art Prize for Women foi desenvolvido para apoiar mulheres artistas em estágio emergente ou de meio de carreira, oferecendo tempo, estrutura e acompanhamento para a criação de novos trabalhos. Durante duas décadas, a premiação esteve ligada à Whitechapel Gallery, em Londres, com foco em artistas baseadas no Reino Unido. Nesta 10ª edição, o prêmio passa a colaborar com parceiros internacionais, começando pelo Museum MACAN, em Jacarta.

Dian Suci, Larung May the Blooms Be Carried Safely through the Night (2024). © Dian Suci

Dian Suci, Larung May the Blooms Be Carried Safely through the Night (2024). © Dian Suci

Max Mara Art Prize inicia nova fase com a Indonésia

Como vencedora, Dian Suci fará uma residência de seis meses na Itália, organizada pela Collezione Maramotti, coleção privada de arte contemporânea fundada por Achille Maramotti, criador da Max Mara. A artista passará por Assisi, Roma, Lecce e Florença, em um percurso de pesquisa relacionado ao seu projeto Crafting Spirit: Cultural Dialogues in Heritage and Practice.

A proposta de Suci investiga como práticas artesanais ligadas à fé, ao gesto e à memória se transformam sob a influência do capitalismo. O projeto fará uma aproximação entre Itália e Indonésia para observar tradições religiosas, objetos devocionais, técnicas manuais e o trabalho de mulheres artesãs. Entre os temas previstos estão a comercialização da fé, a liturgia católica romana, a história do papel machê, o uso da têmpera de ovo e técnicas antigas de tecelagem manual.

A pesquisa também dialoga com questões recorrentes na obra da artista, que trabalha com instalação, pintura, escultura e vídeo. Suci já abordou temas como a domesticação política das mulheres, autoritarismo, fascismo, patriarcado e capitalismo, partindo muitas vezes de sua própria experiência cotidiana como mãe solo. Para Cecilia Alemani, seu trabalho se destaca pela capacidade de transformar a vida doméstica em um espaço de resistência política.

O resultado da residência será apresentado primeiro no Museum MACAN, em Jacarta, no verão de 2027. Em seguida, a exposição será levada à Collezione Maramotti, em Reggio Emilia, na Itália, no outono do mesmo ano, onde as novas obras serão incorporadas à coleção.

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