Após a renúncia coletiva do júri internacional, a Bienal de Veneza anuncia um novo formato para os tradicionais prêmios
A 61ª Bienal de Veneza terá uma mudança inédita na escolha de seus principais prêmios. Após a renúncia coletiva do júri internacional responsável pelos tradicionais Leões de Ouro e Leões de Prata, a organização da mostra confirmou que os vencedores da edição de 2026 serão definidos por votação do público.
A decisão altera temporariamente uma das estruturas mais simbólicas do evento, considerado o principal encontro da arte contemporânea internacional. Os chamados “Visitors’ Lions” serão concedidos ao melhor participante da exposição central “In Minor Keys” e ao melhor pavilhão nacional, com votação aberta aos visitantes que passarem pelos espaços oficiais da Bienal.
A cerimônia de premiação, inicialmente prevista para maio, também foi transferida para 22 de novembro de 2026, data de encerramento da mostra.

Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza
Turner Prize, Bienal de Veneza e a aproximação com o público
A mudança acontece em meio a uma crescente discussão sobre participação pública e novas formas de mediação institucional no circuito internacional de arte. Ao transformar os visitantes em agentes diretos da premiação, a Bienal sinaliza um movimento de aproximação entre grandes exposições e a percepção do público global.
O júri original havia sido anunciado em abril e reunia nomes como Solange Oliveira Farkas, Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi. Dias depois, o grupo publicou uma declaração indicando que determinados países não seriam considerados elegíveis para premiações, em razão de debates ligados ao cenário geopolítico internacional.
Sem aprofundar o embate político, a Bienal optou por reformular o processo de escolha dos vencedores e reposicionar o foco da edição no diálogo aberto entre artistas, instituições e visitantes.
Bienal de Veneza 2026 aposta em participação ampliada
A edição de 2026 da Bienal de Veneza acontece entre 9 de maio e 22 de novembro e marca também a realização do projeto “In Minor Keys”, concebido pela curadora Koyo Kouoh antes de seu falecimento em 2025. O novo modelo de votação passa a integrar oficialmente a dinâmica da mostra e deve atrair atenção especial do mercado, de curadores e dos próprios países participantes.
Os Leões da Bienal possuem forte impacto simbólico e institucional. Historicamente, os prêmios influenciam trajetórias curatoriais, projeção internacional de artistas e valorização de obras e pavilhões no circuito global.
Ao transferir a decisão para o público visitante, a Bienal transforma uma crise institucional em uma experiência inédita de participação coletiva dentro de um dos eventos mais relevantes da arte contemporânea mundial.
