Joe Lewis leva à Sotheby’s um retrato raro do colecionismo bilionário

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Com obras de Klimt, Modigliani, Bacon e Schiele, coleção de Joe Lewis pode atingir £200 milhões em Londres e reforça a força das vendas de único colecionador

A Sotheby’s anunciou para junho, em Londres, a venda de uma seleção da coleção do bilionário britânico Joe Lewis, estimada entre £150 milhões e £200 milhões. O conjunto reúne alguns dos artistas mais relevantes da pintura moderna e pós-guerra e já é tratado como a coleção single-owner mais valiosa da história do Reino Unido.

A operação acontece em um momento importante para o mercado britânico. Após anos de discussões sobre a perda de protagonismo de Londres diante de Nova York, Paris e Hong Kong, a Sotheby’s interpreta a venda como um gesto de confiança na capital inglesa. Oliver Barker, chairman da Sotheby’s Europa, definiu o leilão como “uma injeção de confiança” no mercado londrino.

Entre os destaques confirmados está Bildnis Gertrud Loew (1902), de Gustav Klimt, avaliado entre £20 milhões e £30 milhões. A obra foi comprada por Lewis em 2015 por £24,8 milhões e retorna ao mercado após o recorde recente do retrato de Elisabeth Lederer, vendido por US$ 236,4 milhões em Nova York.

Outro lote relevante é Homme à la pipe (Le notaire de Nice) (1918), de Amedeo Modigliani, estimado entre £12 milhões e £18 milhões. Pintada nos últimos anos de vida do artista, a obra pertence ao período em que Modigliani viveu em Nice, produzindo retratos marcados por forte densidade psicológica.

O leilão também inclui Two Studies for Self-Portrait (1977), de Francis Bacon, estimado entre £8 milhões e £12 milhões, além de Woman in a Grey Sweater (1987-88), de Lucian Freud, avaliado entre £3 milhões e £4 milhões.

Homme à la pipe (Le notaire de Nice), de Amedeo Modigliani, pintado em 1918

Detalhe de Homme à la pipe (Le notaire de Nice), de Amedeo Modigliani, pintado em 1918

Vendas single-owner seguem dominando o topo do mercado

A coleção de Joe Lewis reforça uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos: o protagonismo das vendas single-owner no mercado internacional. Coleções de nomes como Paul Allen, Emily Fisher Landau, Leonard Lauder, S.I. Newhouse e Pauline Karpidas passaram a funcionar como verdadeiros eventos curatoriais, atraindo museus, advisors, investidores e colecionadores globais.

No caso de Lewis, o recorte revela uma preferência clara pela pintura figurativa dos séculos XX e XXI. Segundo Barker, o núcleo da coleção sempre esteve ligado aos artistas da School of London, especialmente Francis Bacon e Lucian Freud, expandindo posteriormente para nomes como Schiele, Klimt, Picasso, Soutine e Caillebotte.

Um dos lotes mais observados do leilão é Danaë (1909), de Egon Schiele. A pintura havia sido retirada de um leilão da Sotheby’s em Nova York em 2017, quando tinha estimativa entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões. Agora retorna ao mercado com avaliação entre £12 milhões e £18 milhões, em um movimento que deve servir como termômetro para o atual momento do mercado modernista.

Joe Lewis construiu sua fortuna no mercado financeiro nas décadas de 1980 e 1990 e teve relação direta com o universo dos leilões. Nos anos 1990, tornou-se o maior acionista individual da Christie’s antes de vender sua participação para François Pinault. Sua trajetória como colecionador sempre esteve ligada aos bastidores do mercado internacional e às grandes disputas por obras raras.

A primeira apresentação pública da coleção acontece em Nova York a partir de 2 de maio. O leilão principal será realizado em Londres no final de junho.

Bildnis Gertrud Loew (Gertha Felsőványi), de Gustav Klimt, tem uma estimativa de £ 20 milhões a £ 30 milhões Cortesia da Sotheby's

Bildnis Gertrud Loew (Gertha Felsőványi), de Gustav Klimt, tem uma estimativa de £ 20 milhões a £ 30 milhões Cortesia da Sotheby’s

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