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IRAN DO ESPÍRITO SANTO
Por José Olympio Pereira

Quando penso no trabalho do Iran Espirito Santo várias palavras me vem a cabeça: simplicidade, precisão, sofisticação, limpeza, rigor e ao mesmo tempo espiritualidade, principalmente em seus últimos trabalhos de pintura de parede realizados na Bienal de Veneza, na Pinacoteca do Estado e na Galeria Fortes Vilaça.

Seus objetos/esculturas são absolutamente sedutores com sua combinação paradoxal(?) de simplicidade e sofisticação (a interrogação vale neste mundo em que tão poucos são os que entendem que o menos pode ser mais).

O uso rigoroso do aço, alumínio, pedra, vidro e sua transformação de mera matéria em formas que encantam é fascinante. Mas fica sempre a questão: o que são estes objetos? Como devemos vê-los? Que questão conceitual eles encerram, se é que alguma? No meu caso prefiro sempre tratá-los como formas e deixar me encantar com elas, usufruindo de sua estética rigorosa.

Suas grandes pinturas de parede, no entanto, pertencem a outro mundo. Quando me encontrei frente a elas, me senti em um templo onde o impacto daquele trabalho transcendia o estético (sempre presente) e passava ao espiritual. A sutil gradação da palheta, a monumentalidade da intervenção, o impacto dela no espaço como um todo, produziram em mim um efeito parecido com o que o barroco consegue em uma de nossas igrejas mineiras. Um a antítese do outro, no entanto, com efeitos semelhantes.

Conviver com as obras do Iran Espírito Santo é um desses prazeres raros, que tal como a experiência de vinhos especiais tem que ser desenvolvido.

Para um observador mais apressado, seus trabalhos podem até passar despercebidos, mas o investimento em apreciá-los vai proporcionar prazeres inesperados àqueles que se dispuserem a fazê-lo.