Mercado de arte fecha semestre em recuperação, mas com demanda seletiva

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Resultados de Christie’s, Sotheby’s e Phillips mostram um mercado mais forte no topo, mas ainda cauteloso nas demais faixas

O primeiro semestre de 2026 mostrou uma recuperação importante no mercado de leilões, mas também revelou um comportamento mais seletivo dos compradores. Os resultados de Christie’s, Sotheby’s e Phillips indicam que o capital voltou a circular com mais força, especialmente no topo do mercado, mas sem repetir a euforia especulativa observada em anos recentes.

A Christie’s registrou US$ 4,5 bilhões em vendas no período, seu melhor primeiro semestre em cinco anos. Desse total, US$ 3,5 bilhões vieram de leilões públicos, enquanto as vendas privadas ultrapassaram US$ 1 bilhão. A casa foi impulsionada principalmente por grandes coleções e obras de alto valor, como a coleção S.I. Newhouse, que somou US$ 630,8 milhões em Nova York.

'Número 7A, de Jackson Pollock / Crédito: Divulgação/Christie's

‘Número 7A, de Jackson Pollock / Crédito: Divulgação/Christie’s

Leilões mostram força das obras-troféu

Entre os maiores resultados da Christie’s estão Number 7A, de Jackson Pollock, vendido por US$ 181,2 milhões; Danaïde, de Constantin Brancusi, por US$ 107,6 milhões; e No. 15 (Two Greens and Red Stripe), de Mark Rothko, por US$ 98,4 milhões. Esses números reforçam a força das obras raras, com proveniência sólida e lugar consolidado na história da arte.

A Sotheby’s também apresentou desempenho expressivo, com US$ 4,4 bilhões em vendas consolidadas, alta de 58% em relação ao ano anterior. Os leilões públicos somaram US$ 3,4 bilhões, enquanto as vendas privadas chegaram ao recorde de US$ 826 milhões. A casa teve forte resultado com a coleção Robert Mnuchin, em Nova York, e com a Coleção Lewis, em Londres, que alcançou US$ 406,2 milhões.

A Phillips avançou em ritmo diferente. Suas vendas cresceram 36,4% no primeiro semestre, mas o impulso veio menos da arte contemporânea e mais do segmento de relógios. Esse dado é relevante porque mostra que os compradores seguem ativos, mas distribuem capital de forma mais estratégica entre arte, luxo e categorias com demanda mais previsível.

O panorama sugere um mercado em recomposição. Christie’s e Sotheby’s se beneficiaram de obras excepcionais, grandes espólios, vendas privadas e estratégias de financiamento. A Phillips, por sua vez, evidencia a importância crescente de categorias de luxo dentro do ecossistema dos leilões.

Mais do que uma retomada ampla, o primeiro semestre aponta para um mercado disciplinado: forte para obras-troféu, atento a estimativas realistas e menos disposto a assumir risco em produções sem lastro histórico. A demanda existe, mas está mais criteriosa, mais global e mais sensível à qualidade do que ao impulso especulativo.

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