Com obras monumentais e uma performance de 24 horas, Ai Weiwei investiga poder, censura e memória histórica em Manchester
Ai Weiwei inaugurou Button Up! no Aviva Studios, em Manchester, sua maior exposição site-specific até hoje. Apresentada pela Factory International, a mostra ocupa o vasto espaço Warehouse e reúne esculturas, instalações, cerâmicas, filmes e performance ao vivo.
Em cartaz de 2 de julho a 6 de setembro de 2026, a exposição parte da história industrial de Manchester para investigar temas como poder, imperialismo britânico, globalização, censura, migração e as relações entre China e Reino Unido.

Weiwei transforma memória industrial em gesto político
Entre as obras criadas especialmente para Manchester está Eight-Nation Alliance Flags, composta por oito grandes bandeiras feitas com quase quatro milhões de botões. O trabalho revisita a aliança militar que invadiu a China durante a Rebelião dos Boxers, no início do século 20, conectando a expansão imperial, a indústria britânica e a atual centralidade da China na produção global.
Outra comissão monumental é History of Bombs, mural de 25 metros de largura construído com 3,5 milhões de peças de brinquedo. A obra representa armas convencionais e nucleares em escala real, aproximando a linguagem da infância da violência política e militar que atravessa a história recente.
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A exposição também reúne trabalhos de grande escala já conhecidos da trajetória do artista. Entre eles estão Law of the Journey, barco inflável de 49 metros com centenas de figuras humanas, associado à crise global de refugiados; Wang Family Ancestral Hall, reconstrução de um templo da dinastia Ming com 1.500 peças originais de madeira; La Commedia Umana, lustre de vidro de Murano com mais de 2.000 elementos; e Circle of Animals/Zodiac Heads, releitura dos doze animais do zodíaco chinês.
Durante a abertura, Weiwei apresenta ainda Sewing a Button, performance de 24 horas que marca os 15 anos de sua detenção secreta pelas autoridades chinesas. Em uma reconstrução de sua cela, o artista repete ações cotidianas do período de confinamento, como dormir, comer, escrever, caminhar, lavar-se e passar por interrogatórios.
O título Button Up! reúne múltiplos sentidos. Remete à história industrial de Manchester, aos botões usados como matéria-prima e também à ideia de silenciamento, em diálogo com a longa atuação de Weiwei contra censura, autoritarismo e apagamento histórico.
Com obras monumentais e forte dimensão autobiográfica, a exposição reafirma Ai Weiwei como um dos artistas contemporâneos mais contundentes na articulação entre memória, política e resistência.




