Art Basel 2026 reuniu 290 galerias de 43 países, alcançou 90 mil visitantes e registrou vendas milionárias lideradas por Picasso, Richter e Hockney
A Art Basel encerrou sua edição de 2026 em Basel no dia 21 de junho, após uma semana marcada por vendas expressivas, forte presença institucional e novas iniciativas voltadas à valorização da experiência presencial. Sob direção de Maike Cruse, a feira reuniu 290 galerias de 43 países e territórios, com apresentações que atravessaram arte moderna, pós-guerra, produções contemporâneas, nomes emergentes, instalações de grande escala e práticas digitais.
Ao longo da semana, o evento recebeu 90 mil visitantes de 103 países, com forte participação europeia e presença significativa de colecionadores, profissionais do setor e instituições das Américas, Ásia, Oriente Médio e África. Mais de 270 museus e fundações estiveram representados, incluindo Metropolitan Museum of Art, MoMA, Whitney Museum of American Art, Centre Pompidou, Tate Modern, Rijksmuseum, Moderna Museet, Louisiana Museum of Modern Art, M+, Guggenheim Abu Dhabi e Art Gallery of New South Wales.
O resultado reforça o papel de Basel como um dos principais pontos de encontro do ecossistema global da arte. Além das vendas, a feira funcionou como espaço de circulação institucional, apresentação de novos projetos curatoriais e reposicionamento estratégico de galerias em diferentes faixas do mercado.
Art Basel 2026 confirma força do alto mercado
As vendas começaram fortes já nas primeiras horas dos previews. O maior negócio reportado foi a venda de Le peintre et son modèle dans un paysage, de Pablo Picasso, por US$ 35 milhões pela Hauser & Wirth. A mesma galeria também vendeu Abstraktes Bild (940-7), de Gerhard Richter, por US$ 20 milhões, além de Les Fleurs, de Louise Bourgeois, por US$ 2,5 milhões.
A Gagosian vendeu No Title, de Willem de Kooning, por um valor na casa dos sete dígitos altos para uma coleção privada na Ásia ainda na primeira hora do preview. Já a GRAY vendeu Studio Interior #2, de David Hockney, por US$ 8,5 milhões, enquanto outra obra do artista, The Arrival of Spring in Woldgate, East Yorkshire, foi vendida por US$ 650 mil.
A presença de Hockney ganhou peso especial após sua morte no início de junho, fazendo com que obras do artista recebessem atenção adicional ao longo da feira. Também se destacou Helen Frankenthaler, cuja retrospectiva em cartaz no Kunstmuseum Basel ampliou o interesse por sua produção. Thaddaeus Ropac vendeu Sudden Wave, de 1982, por cerca de US$ 3 milhões, enquanto a Yares Art vendeu Gliding Figure, de 1961, por US$ 2 milhões.
Entre outras vendas relevantes, Almine Rech negociou um Picasso por US$ 6 milhões a US$ 6,5 milhões por meio da iniciativa Basel Exclusive. White Cube vendeu uma obra de Lynne Drexler por US$ 2,5 milhões e Untitled, de Doris Salcedo, por US$ 1,35 milhão. No setor Unlimited, Knowing My Enemy, de Tracey Emin, foi vendido por £1,25 milhão.
A estreia europeia da iniciativa Zero 10, dedicada a artistas que trabalham com tecnologias digitais, também gerou resultados comerciais. STANDARD, de John Gerrard, foi vendido por US$ 500 mil, enquanto múltiplas obras de Rafael Lozano-Hemmer e 12 trabalhos da pioneira da arte computacional Vera Molnár encontraram compradores.
A edição também marcou o lançamento da Basel Exclusive, programa que reservou obras importantes para apresentação apenas na abertura presencial da feira. Mais de 190 galerias do setor principal participaram da iniciativa, que buscou recuperar o impacto do primeiro encontro físico com a obra em um mercado cada vez mais atravessado por previews digitais.
Além das vendas, a Art Basel 2026 ampliou sua presença na cidade. O programa Parcours apresentou 21 intervenções sob o tema Conviviality, enquanto duas grandes comissões públicas de Nairy Baghramian e Ibrahim Mahama ocuparam Messeplatz e Münsterplatz. O setor Unlimited, curado pela primeira vez por Ruba Katrib, diretora de assuntos curatoriais do MoMA PS1, reuniu 59 projetos de grande escala.
Na avaliação dos galeristas, a feira teve uma energia consistente do início ao fim. Representantes de Gagosian, Sprüth Magers, Xavier Hufkens, Boesky Gallery, P420 e Gypsum Gallery destacaram a qualidade dos colecionadores, o interesse institucional e a abertura para artistas e galerias de diferentes circuitos geográficos.
Com vendas robustas no topo do mercado, atividade em faixas intermediárias e forte presença de museus, a Art Basel 2026 reafirmou sua posição como uma das principais plataformas internacionais para negócios, validação institucional e leitura de tendências do mercado global de arte.


