Royal Academy analisa vender obra-prima de Michelangelo para não perder 150 funcionários

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A galeria londrina deve debater a venda de uma obra-prima do Renascimento que pode valer mais de £ 100 milhões

A Royal Academy de Londres está analisando a venda de uma obra-prima de Michelangelo de 515 anos, “Taddeo Tondo”, como um meio de arrecadar fundos e evitar as demissões, de outra forma inevitáveis, de 150 funcionários, relatou o The Guardian. Estima-se que a venda da obra em mármore – a única escultura de Michelangelo em poder de uma instituição britânica – renderia mais de US$ 127 milhões, o suficiente para devolver o fôlego à instituição.



A Royal Academy já estava em apuros, antes mesmo da pandemia, tendo passado de seus limites ao pedir empréstimo para construir uma expansão de US$ 74 milhões, na ocasião da comemoração de seu 250º aniversário, em 2018. Agora, incapaz de trazer dinheiro pelas vias habituais – como as vendas de ingressos, lojas, taxas de filiação e doações – a galeria deve enfrentar um déficit de US$ 10,3 milhões. Na semana passada, os dirigentes anunciaram que esperavam ter de demitir 40% dos funcionários, ou cerca de 150 pessoas, para cortar custos.

A obra Taddei Tondo chegou à Royal Academy em 1829

A obra Taddei Tondo chegou à Royal Academy em 1829

A questão se divide entre aqueles Acadêmicos Reais que acreditam que a galeria estaria abandonando sua missão com a venda da obra – e aqueles que argumentam que a obra, uma anomalia dentro do acervo da galeria, encontraria uma casa mais adequada em uma instituição como a National Gallery, com a sua venda tornando a Royal Academy “financeiramente segura por muitos anos”.

A Royal Academy não está sozinha em seu dilema. O Museu do Brooklyn, em Nova York, anunciou na semana passada que abriria mão de uma dúzia de obras pequenas ou nunca exibidas para compensar o déficit de orçamento. A diretora Anne Pasternak disse ao New York Times que a decisão de fazer isso foi “difícil”, mas pelo melhor interesse do museu e de seu conteúdo. “O que é mais importante”, perguntou ela, “ter uma equipe de conservação de tamanho adequado ou obras que não vêem a luz do dia em uma coleção?”.

O destino da obra de Michelangelo será discutido esta semana em uma reunião anual, agora virtual, dos membros da Royal Academy.

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