Depois de 20 anos, National Gallery abre a primeira exposição exclusiva sobre Monet em Londres

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Reunindo obras que retratam edifícios e monumentos, a exposição é um registro de onde Monet passou e das atmosferas deste lugares

A mostra histórica na National Gallery – a primeira exposição exclusivamente dedicada a Monet, a ser apresentada em Londres em mais de vinte anos – é uma oportunidade única e surpreendente de descobrir o artista como nunca o vimos antes.

Normalmente pensamos em Claude Monet como um pintor de paisagens, do mar, e em seus últimos anos, de jardins – mas até agora nunca houve uma exposição considerando seu trabalho em termos de arquitetura.

Com mais de setenta e cinco pinturas de Monet, a exposição abrange sua longa carreira desde meados da década de 1860 até a exibição pública de suas pinturas de Veneza em 1912. Como um ousado jovem artista, ele expôs em mostras impressionistas, exibindo telas das pontes e edifícios de Paris e seus subúrbios. Muito mais tarde, como um homem idoso, ele retratou a arquitetura renomada de Veneza e Londres, refletindo-os nas telas através de sua visão excepcional.

Mais de um quarto das pinturas da exposição “Credit Suisse: Monet & Architecture” vêm de coleções particulares em todo o mundo; são trabalhos pouco conhecidos e raramente exibidos.

Os edifícios desempenharam papéis substanciais, diversos e inesperados nas obras de Monet. Eles servem como registros de locais, identificando uma aldeia por sua igreja (‘The Church at Varengeville, Morning Effect’, 1882), ou cidades como Veneza (‘The Doge’s Palace’, 1908) ou Londres (“Cleopatra’s Needle e Charing Cross Bridge”, cerca de 1899-1901) pelos seus famosos monumentos.

A arquitetura ajudou Monet na pintura. Um teto de telhas vermelhas poderia oferecer um contraste complementar ao verde dominante da vegetação circundante (Du haut des falaises, à Dieppe ou La falaise à Dieppe, 1882). As superfícies texturizadas dos edifícios forneciam cenas onde a luz brilha, equivalentes sólidas a reflexos na água (Rouen Cathedral, 1893-4).

Claude Monet, Le Grand Canal (detail), 1908

Claude Monet, Le Grand Canal (detail), 1908

“Monet & Architecture”

A mostra, em cartaz até 29 de julho, está dividida em três seções – ‘The Village and the Picturesque’, ‘The City and the Modern’ e ‘The Monument and the Mysterious’ –  explorando como um dos pintores mais amados do mundo capturou as mudanças abruptas da sociedade através de sua representação de edifícios.

A exposição apresenta um raro encontro de algumas das grandes pinturas de séries de Monet – cinco quadros holandeses de viagens feitas no início da década de 1870, 10 pinturas de Argenteuil e subúrbios parisienses de meados da década de 1870, sete catedrais de Rouen de 1892 a 1895, oito pinturas de Londres entre 1899 a 1904 e nove telas de Veneza de 1908.

Muitas das mundialmente famosas e adoradas imagens de Monet viajaram para Londres: o “Quai du Louvre” (1867), uma de suas primeiras paisagens urbanas; o “Boulevard des Capucines, Paris” (1873) exibido na primeira exposição impressionista de 1874, onde suscitou controvérsia; e ‘The rue Montorgeuil, Paris, The National Holiday of 30 June, 1878’ feita para a celebração de um feriado nacional.

Através dos edifícios, Monet registrou sua localização, divertindo-se com atmosferas caleidoscópicas e registrando o jogo de luz do sol, neblinas e reflexos, usando as características do ambiente construído como seu teatro de luz. Ele disse em uma entrevista em 1895 “Outros pintores pintam uma ponte, uma casa, um barco … Eu quero pintar o ar que envolve a ponte, a casa, o barco – a beleza da luz em que eles existem”.

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