Com cerca de US$ 2bi em vendas, quais os pontos altos nesta temporada de leilões em Nova York?

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Da obra mais cara à obra mais recente (e muito mais), estas são as observações finais sobre a temporada de leilões em Nova York, neste mês de novembro

Depois do alvoroço em torno da temporada de leilões em Nova York, é possível fazer um balanço sobre as vendas das três grandes casas.

Alguns poderão dizer que foi inevitável que as receitas das vendas noturnas tenham caído mais de 30% em relação ao ano anterior, tendo em conta a forte concorrência imposta pelas ofertas excecionais do ano passado, incluindo a coleção de Paul Allen na Christie’s.

Uma das razões dos resultados mais modestos pode ser a oferta de menos peças e a retirada de outras. O leilão de arte moderna da Sotheby’s, por exemplo, começou com 41 lotes (em comparação com a oferta de 65 lotes da Christie’s), mas teve oito obras – o que equivale a 20% da venda – retiradas. O grupo incluía obras de Pablo Picasso, Richard Diebenkorn, René Magritte, Fernand Léger e Diego Rivera.

A ebulição dos anos anteriores também parece ter diminuído no mercado contemporâneo. Mesmo assim, durante a venda “the Now” da Sotheby’s, um respeitado colecionador permaneceu otimista quanto ao estado do mercado. Ele observou que, embora as obras contemporâneas não estivessem saindo do mercado como acontece durante os picos do mercado, excelentes peças ainda apresentam taxas de venda saudáveis. “Dois anos atrás, era tudo uma questão de nome. Agora as pessoas querem um exemplo perfeito de artista. Você sabe que é ruim quando as pessoas não consideram os legados. Isso não está acontecendo.”

Maior Vencedor: Sotheby’s

No início da temporada, a Sotheby’s estava preparada para sair vitoriosa com as maiores estimativas pré-vendas – o que prevaleceu nos totais alcançados.

A Sotheby’s obteve um total máximo de US$ 936,5 milhões de vendas em quatro noites, seguida pela Christie’s, com US$ 748,3 milhões, e Phillips, onde a venda noturna arrecadou US$ 155 milhões.

Marina Perez Simão, Sem título (2022). Cortesia Sotheby’s.

Marina Perez Simão, Sem título (2022). Cortesia Sotheby’s.

Wet Paint

A tela estabeleceu o recorde em leilão de Marina Perez Simão, de 33 anos, no leilão “the Now” da Sotheby’s, arrecadando incríveis US$ 422.000, acima da estimativa inicial entre US$ 80.000 e US$ 120.000. A artista é representada pela Mendes Wood DM e Pace, e a venda rápida desta obra indica o mercado disputado da artista brasileira, que foi concluído há apenas um ano.

À esquerda: Mark Rothko, Sem título (1958) da série “Seagram”; à direita: Mark Rothko, Sem título (1968). Cortesia da Sotheby's.

À esquerda: Mark Rothko, Sem título (1958) da série “Seagram”; à direita: Mark Rothko, Sem título (1968). Cortesia da Sotheby’s.

Um conto de dois Rothkos

“Seletividade” é sempre uma palavra da moda durante a temporada de leilões, usada como uma forma de explicar por que certas obras são vendidas enquanto outras fracassam. Aqui está um exemplo concreto de renovada seletividade do mercado, evidenciada por duas reações muito diferentes a Rothko.

Enquanto a tela sombria de Rothko em tons de adobe de Emily Fisher Landau, da estimada série “Seagram”, atingiu US$ 19 milhões, muito abaixo da estimativa de pré-venda de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões, um trabalho muito menor e luminoso em papel do artista dobrou a estimativa de pré-venda entre US$ 7 milhões e US$ 10 milhões, atingindo US$ 20,5 milhões.

Pablo Picasso’s Femme à la montre (1932) at Sotheby’s. Photo by Tristan Fewings/Getty Images for Sotheby’s.

Pablo Picasso’s Femme à la montre (1932) at Sotheby’s. Photo by Tristan Fewings/Getty Images for Sotheby’s.

Trabalho mais caro

Femme à la montre, de Pablo Picasso, a pedra angular da coleção de Emily Fisher Landau, foi arrematada por US$ 139,4 milhões (incluindo taxas) na Sotheby’s em 8 de novembro. Fisher Landau adquiriu o retrato em 1968, da Pace Gallery, que permaneceu em sua coleção até ser colocado à venda na Sotheby’s este mês, sendo o carro-chefe do total de vendas de US$ 425 milhões.

Joan Mitchell, Untitled (ca. 1959). Courtesy of Christie’s Images, Ltd.

Joan Mitchell, Untitled (ca. 1959). Courtesy of Christie’s Images, Ltd.

Joan Mitchell

A artista teve obras presentes nas vendas das três casas de leilão: Sotheby’s, Christie’s e Phillips, gerando muita especulação sobre como o mercado se sairia. Duas obras em particular rivalizaram para estabelecer um novo recorde de leilão para Mitchell: uma tela sem título de 1959 na Christie’s (estimada entre US$ 25 milhões e US$ 35 milhões) e Girassóis, uma obra de dois painéis pintada no final de sua vida, por volta de 1990-1991, na Sotheby’s (estimada entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões).

A obra mais antiga levou a melhor, sendo vendida por impressionantes US$ 29,2 milhões – apenas US$ 1,3 milhão acima do preço final dos Girassóis.

Via Artnet News

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