Mickalene Thomas | Artista do Mês | Agosto/2016

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Mickalene Thomas é uma artista contemporânea americana conhecida por retratar mulheres e celebridades afro-americanas através colagens e tinta acrílico, esmalte e strass. Thomas introduz uma visão complexa do que significa ser uma mulher e expande as definições comuns de beleza. Sua produção é resultado de seu longo estudo sobre história da arte e os gêneros clássicos do retrato, paisagem e natureza morta. Suas descrições das mulheres afro-americanas exploram um espectro de beleza negra feminina e identidade sexual, enquanto constrói imagens de feminilidade e poder.

A artista combina empréstimos cuidadosos da pintura histórica com a cultura popular contemporânea, inspirando-se em artistas como Romare Bearden, Gustave Courbet, David Hockney, Édouard Manet e Henri Matisse. Ao fundir os gêneros tradicionais aos nus e retratos das mulheres afro-americanas, Thomas vem esforçando para ampliar os parâmetros tradicionais da história da arte e da cultura.

Muitas vezes baseada em fotografia, a prática de Thomas utiliza tanto a estética da pintura ocidental quanto os filmes blaxploitation fortemente sexualizados da década de 1970. Através desta apropriação de imagens, ela aborda questões de feminilidade, raça e beleza ao lado de histórias pessoais e memórias de infância, citando artistas como Carrie Mae Weems e Romare Bearden como primeiras influências. Foi ela a artista responsável por pintar o primeiro retrato individual de primeira-dama Michelle Obama – tela posteriormente exibida na National Portrait Gallery.

Ela escolhe descrever mulheres poderosas, como sua mãe, celebridades e figuras icônicas da história da arte. Na fotografia “Le déjeuner sur l’herbe: Le Trois Femme Noires”, de 2010, Thomas reapresenta a famosa imagem de Édouard Manet, substituindo suas figuras pintadas por mulheres negras com roupas provocantes. Tais obras demonstram o interesse sustentado por Thomas em tornar visivel a relação das mulheres negras tanto na história da arte quanto na cultura contemporânea em geral.

Mickalene Thomas nasceu em Camden, New Jersey, em 1971, e foi criada por sua mãe Sandra “Mama Bush” Bush, que apresentou Mickalene e seu irmão à arte ao matriculá-los em cursos fora do horário escolar no Museu de Newark e na Henry Street Settlement em Nova York. Mais tarde, frequentou a escola em Portland, Oregon, a partir de meados dos anos 80 ao início dos anos 90, estudando Artes Cênicas. Durante todo esse tempo ela se viu imersa na crescente cultura “faça-você-mesmo” de artistas e músicos, levando-a a começar seu próprio corpo de trabalho.

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Sua maior influência foi a exposição de Carrie Mae Weems no Museu de Arte de Portland em 1994, que apresentava uma pequena retrospectiva de sua fotografia, especificamente fotos de suas séries Kitchen Table e Ain’t Jokin. Em uma entrevista ao Brooklyn Museum of Arte, Thomas descreveu sua experiência com o trabalho Weems como “familiar” e “transformadora”. Os trabalhos de Weems não só desempenharam um papel na decisão de Mickalene Thomas de mudar seus estudos e se matricular no Pratt Institute, em Nova York, mas também para usar sua experiência e transformá-la em arte.

Thomas formou-se no Pratt Institute em 2000, com mestrado na Yale School of Art em 2002. Suas representações de mulheres afro-americanas exploram as percepções de celebridades negras e identidade, enquanto romantizam ideias de feminilidade e poder. Mickalene Thomas apresenta uma visão complexa do que significa ser uma mulher e se expande as definições comuns de beleza. Reminiscente do estilo blaxploitation da década de 1970, os personagens das pinturas de Thomas irradiam sexualidade. Mulheres em poses provocantes se expandem em todo o plano de imagem e são cercadas por padrões decorativos inspirados na sua infância.

Além de suas pinturas, Thomas trabalha com fotografia, colagem, gravura, vídeo arte, escultura e instalação. Seus trabalhos, em particular a série Odalisque (2007), foram interpretados como “investigação da relação artista-modelo […], mas a partir de uma perspectiva atualizada da inter-subjetividade do sexo feminino e do desejo pelo mesmo sexo” (La Leçon d’amour, 2008). Ela apresenta temas e simbolismo recorrentes, com uma longa estirpe de arte ocidental em suas referências e a representação de mulheres odaliscas em cenários exóticos. Ela experimentou com imagens institucionais na FBI/Serial Portraits (2008), baseada nas mug shots de mulheres afro-americanas.

Sua primeira individual em um museu foi “Mickalene Thomas: Origin of the Universe”, em 2012, inaugurada no Santa Monica Museum of Art e viajando em seguida para o Brooklyn Museum. Esta mostra, cujo título faz referência à pintura “L’Origine du monde” (1866) de Gustave Courbet, apresentou uma série de retratos, paisagens e interiores em configurações muitas vezes inspiradas em sua infância na década de 1970.

O curta-metragem “Happy Birthday to a Beautiful Woman”, criado para sua exposição no Brooklyn Museum, é sobre Sandra Bush, sua mãe e musa de longa data. Nele, Sandra fala sobre carreiras, relacionamentos, beleza e sua doença fatal. O filme estreou na televisão 2014.

Ela foi premiada com vários prêmios e bolsas, incluindo Brooklyn Museum Asher B. Durand Award (2012), Timerhi Award for Leadership in the Arts (2010), Joan Mitchell Grant and Pratt Institute Alumni Achievement Award (ambos em 2009) e Rema Hort Mann Grant (2007).

A artista vive e trabalha no Brooklyn, Nova Iorque, sendo representada pela Lehmann Maupin, em Nova York; Susanne Vielmetter Los Angeles Projects; Kavi Gupta em Chicago e Galerie Nathalie Obadia, em Paris.

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