O Chanel Next Prize 2026 confirma a força do apoio institucional de longo prazo e sinaliza caminhos estratégicos para o mercado de arte global
O anúncio dos vencedores do Chanel Next Prize 2026 reforça um movimento cada vez mais claro no mercado de arte contemporânea: o fortalecimento de modelos de apoio institucional focados em longo prazo, autonomia criativa e atravessamentos disciplinares. Promovido pelo Chanel Culture Fund, o prêmio concede €100 mil a cada um dos dez artistas selecionados, além de um programa de mentoria e desenvolvimento profissional ao longo de dois anos.
Criado em 2021 e agora em sua terceira edição, o Chanel Next Prize não se propõe a identificar talentos emergentes em início de carreira, mas sim artistas em plena expansão, cujas práticas já demonstram impacto cultural e capacidade de influenciar os rumos da produção contemporânea. Essa estratégia dialoga diretamente com uma leitura mais madura do mercado de arte, que reconhece que o desenvolvimento artístico não é linear nem se esgota em ciclos curtos de visibilidade.
A lista de premiados em 2026 reflete com precisão as transformações em curso. Entre os vencedores estão o pintor Pol Taburet, a artista multimídia Ayoung Kim, o artista sonoro Emeka Ogboh, a musicista experimental Pan Daijing, o artista visual Álvaro Urbano, a artista e designer Bárbara Sánchez-Kane, o trompetista de jazz Ambrose Akinmusire, a cineasta Payal Kapadia, o coreógrafo Marco da Silva Ferreira e a designer Andrea Peña.
Em comum, todos transitam entre linguagens, recusando hierarquias rígidas entre arte visual, performance, som, moda e cinema. O prêmio concederá € 100.000 (US$ 117.400) a cada um dos 10 artistas.

Registro de obra de Pol Taburet na 36ª Bienal de São Paulo. 01/09/2025 © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Apoio estrutural e impacto no mercado de arte
Do ponto de vista do mercado de arte, o modelo do Chanel Next Prize aponta para uma mudança relevante. Ao oferecer recursos sem restrições de uso e acompanhamento contínuo, o prêmio reduz a dependência de artistas em relação a ciclos de feiras, comissões pontuais e pressões comerciais imediatas. Isso cria condições para obras mais ambiciosas, pesquisas de fôlego e posicionamentos conceituais mais consistentes, fatores que, a médio prazo, reverberam diretamente no valor simbólico e econômico dessas trajetórias.
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Além disso, o prêmio reforça o papel de grandes marcas culturais como agentes estruturantes do ecossistema artístico. A Chanel, ao articular financiamento, mentoria e circulação institucional, atua como mediadora entre produção artística, museus, bienais e colecionadores. Não por acaso, os vencedores se reunirão durante a semana de abertura da Bienal de Veneza, um dos principais polos de legitimação do circuito global.
O Chanel Next Prize 2026, portanto, vai além de um gesto filantrópico. Ele funciona como um termômetro das prioridades contemporâneas do mercado de arte: diversidade geográfica, práticas híbridas, sustentabilidade de carreira e investimento em tempo. Em um cenário ainda marcado por ajustes pós-expansão e maior seletividade institucional, iniciativas desse tipo ajudam a redefinir o que significa sucesso e relevância no sistema artístico atual.
Fontes: Artsy, The Art Newspaper e ArtNews
