Damien Hirst ocupa o Château La Coste, na França, com mostra abrangente

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Damien Hirst, artista YBA, exibe cerca de 90 obras históricas e recentes no sul do país

Damien Hirst trouxe suas infames carcaças de animais preservadas e esculturas brilhantes do Mickey Mouse para as colinas do sul da França. “Damien Hirst: The Light That Shines” no Château La Coste apresenta um levantamento abrangente de cerca de 90 obras de arte históricas e recentes do artista YBA.

Situado numa das regiões vinícolas mais antigas do país, perto de Aix-en-Provence, o vinhedo de 500 acres foi convertido em hotel e destino de arte contemporânea.

Ocupação inédita

A mostra de Hirst marca a primeira vez que um único artista ocupa todo o complexo. Ao longo de décadas, o artista produziu trabalho mais do que suficiente para preencher os cinco pavilhões arquitetônicos do local.

Os animais mortos preservados em formol, pelos quais ele é mais conhecido, estão sendo exibidos em um pavilhão do arquiteto italiano Renzo Piano. Os primeiros exemplares da série “História Natural” que chamaram a atenção, bem como seus preços multimilionários, catapultaram Hirst aos olhos do público na década de 1990.

Outro pavilhão, projetado pelo falecido arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, exibe Treasures from the Wreck of the Unbelieveable (2017), estreado originalmente pela Fundação Pinault na 57ª Bienal de Veneza.

Em outros lugares, flores de cores berrantes da série The Secret Gardens Paintings serão familiares para quem visitou o estande da Gagosian na Frieze London no ano passado. As borboletas, um motivo comum na obra de Hirst, também aparecem muitas vezes nos caleidoscópios vermelhos rodopiantes das The Empress Paintings.

Obras da série “Natural History” na exposição “Damien Hirst: The Light That Shines”, no Château La Coste

Obras da série “Natural History” na exposição “Damien Hirst: The Light That Shines”, no Château La Coste

Esculturas ao ar livre

Hirst também aproveitou bem o amplo espaço ao ar livre do castelo para exibir obras esculturais gigantescas. A escultura Temple (2008), de 6,5m de altura, lembra um torso masculino, como aqueles vistos nas aulas de biologia na escola. Sucessivos cortes do corpo permitem vislumbrar os órgãos e a musculatura da figura.

Charity (2002), que já esteve ao lado do The Gherkin em Londres, ironicamente pega uma velha caixa de coleta de caridade e a transforma em um monumento, mas que evidentemente foi saqueado e com suas moedas apreendidas.

Obras da série Treasures from the Wreck of the Unbelievable na exposição “Damien Hirst: The Light That Shines” no Château La Coste

Obras da série Treasures from the Wreck of the Unbelievable na exposição “Damien Hirst: The Light That Shines” no Château La Coste

Obra site-specific permanente

Como parte do programa em constante evolução do parque de esculturas do castelo, o fundador da instituição, Paddy McKillen, também encomenda regularmente novas obras site-specific. Hirst sonhou com uma capela que teria a forma de uma mão de bronze de 30 metros de altura apontando para o céu.

“Eu projetei este braço como uma escultura. Foi baseado em uma mão segurando um telefone celular. Mas foi um pouco como os dedos de Cristo”, disse Hirst. “E então pensei, é como uma torre. Foi ideia do Paddy colocar degraus dentro para que você pudesse subir”. A capela está prevista para ser inaugurada em 2025.

A mão sagrada se junta a uma série de instalações permanentes que pontilham os vinhedos e trilhas arborizadas da propriedade, incluindo obras de artistas e arquitetos como Louise Bourgeois, Hiroshi Sugimoto, Tracey Emin e Sophie Calle.

“Damien Hirst: The Light That Shines” está em exibição no Château La Coste até 23 de junho de 2024.

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