Cinco galerias brasileiras apresentam seus artistas de vanguarda na Art Basel OVR: Pioneers

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A iniciativa reúne virtualmente 100 galerias de todo o mundo, que apresentam artistas pioneiros em sua estética e abordagem conceitual e sócio-política

Até o dia 27 de março, online, 100 galerias de 25 países e territórios participam da “OVR: Pioneers”, iniciativa da Art Basel dedicada a exibir artistas que abriram novos caminhos, seja esteticamente, conceitualmente ou sócio-politicamente. As galerias participantes apresentam exposições individuais ou coletivas com curadoria, exibindo até oito obras simultaneamente.

Colecionadores e visitantes podem visualizar cerca de 800 obras em diversas técnicas e períodos, e explorar percursos virtuais e programações paralelas apresentada pelos expositores. A Art Basel continua a otimizar a sua plataforma digital e desta vez adicionou um novo recurso, onde os usuários podem favoritar e compartilhar obras de arte e salas de exibição.

Entre as galerias, estão as brasileiras Bergamin & Gomide, Fortes D’Aloia & Gabriel, Galeria Luisa Strina, Galeria Nara Roesler e Mendes Wood DM.

Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo

LEDA CATUNDA Mosca branca, 2007

LEDA CATUNDA Mosca branca, 2007

Para a OVR: Pioneers, a Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta um diálogo entre Leda Catunda e Jac Leirner, duas estrelas em ascensão dos anos 80 que inovaram, incorporando sistemas e produtos culturais como matéria-prima em seus trabalhos. Desde então, são referências para gerações de artistas e suas obras fazem parte do acervo de todas as principais instituições brasileiras.

Catunda expande o campo bidimensional, empregando vários tipos e estampas de tecidos, que são costurados em camadas ou estofados em superfícies acolchoadas. A artista usa a tinta para unir matéria e ideias, formando uma topologia de padrões e cores. Enquanto isso, Leirner reorganiza meticulosamente objetos cotidianos com atenção especial para a transição entre o político e o pessoal, bem como da vida diária para os momentos históricos. Ela criou uma estética formal pós-minimalista única que expande nossa compreensão da escultura e questiona o valor das obras de arte, o circuito da arte e a produtividade em nossa sociedade consumista.

Galeria Luisa Strina, São Paulo

Cildo Meireles Sem Título, 1984

Cildo Meireles Sem Título, 1984

A Galeria Luisa Strina apresenta obras de dois artistas brasileiros de diferentes épocas: Cildo Meireles e Panmela Castro.

Cildo Meireles foi um pioneiro no Brasil em vários aspectos, na arte conceitual, na desmaterialização da arte, na land art, mas uma faceta de seu pioneirismo é pouco estudada: sua investigação da herança africana no país. Luisa Strina mostra duas pinturas dele da década de 1980 que representam a miscigenação étnica e o sincretismo religioso do povo brasileiro. Daí a importância de apresentar, ao lado de Meireles, duas obras da jovem artista plástica Panmela Castro, autora de obras que problematizam as políticas de gênero e raça, sempre partindo do ponto de vista pessoal e confessional, trazendo à tona a experiência de ser uma artista negra de uma classe social menos privilegiada no mundo atual, e que investiga seu lugar no mundo como um ato de cumplicidade com sua comunidade.

Galeria Nara Roesler, São Paulo / Nova York

A Galeria Nara Roesler apresenta uma seleção de fotografias de Isaac Julien, um dos mais importantes e influentes artistas visuais britânicos. O seu trabalho combina várias disciplinas, incluindo cinema, fotografia, dança, música, teatro, pintura e escultura, que são captadas nas suas instalações audiovisuais, documentários e peças fotográficas. Embora o cinema seja a principal forma de sua produção artística, a fotografia também desempenha um papel fundamental na obra de Julien. As fotografias de Isaac Julien apresentadas na OVR: Pioneers visam revelar sua trajetória no meio, celebrando seu trabalho pioneiro em instalações de filmes em várias telas.

Bergamin & Gomide, São Paulo

A galeria exibe uma individual da artista suíço-brasileira Mira Schendel, exatamente após cinco anos de sua primeira participação na feira de arte, em 2016, onde expôs diversas obras de Schendel. Suas séries como Monotipias, Droguinhas e Toquinhos, produzidas principalmente entre a segunda metade dos anos 60 e a primeira metade dos anos 70, estão presentes no projeto da Bergamin & Gomide para a feira. Com estas séries, Schendel deu origem a inquietações e interesses que a acompanharam desde o início da sua carreira artística, tais como: a expressão do vazio, a experiência do tempo, o estar no mundo e os mistérios da transparência

Mendes Wood DM, São Paulo / Nova York / Bruxelas

Paulo Nazareth, série Bestiário do Capital

Paulo Nazareth, série Bestiário do Capital

Mendes Wood DM oferece um projeto individual do artista brasileiro Paulo Nazareth, que trabalhou em temas como a preservação ambiental, os direitos dos povos indígenas e a questão racial com uma abordagem bem humorada e heterodoxa. Ele é um vegetariano de longa data e amigo dedicado dos animais, portanto, muitos de seus projetos estão centrados nesta questão. Para OVR: Pioneers, apresenta a série Bestiário do Capital, com animais cuidadosamente dobrados na frente de notas de papel que representam.

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