

Em um dos mais ruidosos corredores que atravessam o Centro de São Paulo, a Avenida Tiradentes, por onde circula um tráfego frenético de veículos, símbolo da sua pujança e também dos seus tormentos urbanos, está situado um contrastante oásis de paz e de serenidade: o Mosteiro de Nossa Senhora da Luz. A sua sobrevivência intocada, como testemunho da arquitetura e das técnicas da construção dos tempos em que São Paulo nem sonhava que se converteria um dia em pólo vital da economia brasileira, é um verdadeiro milagre em si. Com certeza este milagre se explica pelas funções que desempenhou durante os dois séculos e meio de sua existência, funções bem distantes dos objetivos pragmáticos da cidade que viu crescer à sua volta e que ameaça tragá-lo.
Além de abrigar, desde a sua fundação em 1774 até os dias de hoje, uma comunidade religiosa contemplativa, ele guarda os restos mortais de seu Santo Fundador, Frei Antônio de Sant'Ana Galvão. Também abriga o Museu de Arte Sacra de São Paulo, detentor de um tesouro de arte que ultrapassa o âmbito nacional e o situa em posição de destaque internacional no seu gênero.
Pode-se dizer que é duplamente museu: pelo acervo artístico que o integra e pelo próprio monumento arquitetônico e de técnica de construção que emoldura esse acervo.
De fato, o Mosteiro nos permite apreciar a construção em taipa de pilão que era a técnica disponível para a ainda humilde cidade de São Paulo do século XVIII. As paredes nuas do recinto que serviu de cela a Frei Galvão revelam o barro e as varas da armadura da taipa, ilustração viva dessa técnica extinta, ao mesmo tempo que nos passam a mais tocante mensagem de despojamento franciscano. Numa das paredes da cela resta também, em grafitti, o projeto da fachada do Mosteiro concebida por Frei Galvão.
O Museu detém um acervo impressionante de peças relacionadas com o culto doméstico e público dos primeiros séculos da história de São Paulo. São mais de quatro milhares ao todo, entre imagens, oratórios, talhas de altares, alfaias, pinturas sacras e paramentos litúrgicos. Em sua quase totalidade, trata-se de peças de arte brasileira, a maioria paulista, executadas durante três séculos: do início do século XVI até o final do século XIX, a infância e adolescência desta grande Nação Brasileira.
O acervo foi reunido no início do século XX pela Cúria Metropolitana, enriquecido posteriormente por doações de particulares. Hoje o Museu funciona como um esforço conjunto do Governo do Estado de São Paulo e a Mitra Arquidiocesana, esta última cedendo em comodato o acervo e o Governo provendo a infra-estrutura de Direção e Administração. Recebe uma visitação anual superior a 50 mil.
Anexo ao Museu principal está o Museu do Presépio, reunindo várias dezenas de representações, populares e eruditas, do Nascimento de Jesus, provenientes de diversas regiões do Estado e de muitas partes do mundo, dentre os quais se sobressai o extraordinário Presépio Setecentista Napolitano.
O Museu cumpre a inestimável função de preservar este legado artístico do passado, que no dizer abalizado do Prof. Carlos Lemos é “a sede da memória da gens paulistana”. Mas ele é também o ponto de partida para inúmeros estudos acadêmicos de história da arte que restam por fO Museu detém um acervo impressionante de peças relacionadas com o culto doméstico e público dos primeiros séculos da história de São Paulo. São mais de quatro milhares ao todo, entre imagens, oratórios, talhas de altares, alfaias, pinturas sacras e paramentos litúrgicos. Em sua quase totalidade, trata-se de peças de arte brasileira, a maioria paulista, executadas durante três séculos: do início do século XVI até o final do século XIX, a infância e adolescência desta grande Nação Brasileira.azer. Este imenso elenco ainda bastante indiscriminado de obras forma um panorama dentro do qual será possível agrupar obras da mesma lavra ainda que o artista permaneça não identificado, ordenar esta produção no tempo, descobrir filiações artísticas e, finalmente, mapear um vetor evolutivo na arte dos tempos coloniais e estabelecer seu nexo com outros aspectos culturais, religiosos e sociais.
Visitar o Museu de Arte Sacra é nos realimentar com a seiva das nossas próprias raízes culturais e, como prêmio, desfrutar de inesgotável encantamento e harmonia.
Museu de Arte Sacra
www.museuartesacra.org.br
Av. Tiradentes, 676 - Luz
Tels.: (11) 3326-3336 / 1373 / 5393
Estacionamento gratuito (acesso pela Rua Jorge Miranda, 53)
Horário: terça a domingo, das 13h às 17h
![]() Divino Espírito Santo representado na forma de pombo; peça de prata do século XVII proveniente da antiga Matriz de Itapecerica da Serra |
![]() Imagem de Nossa Senhora das Dores; Madeira policromada com 83 cm de altura. Foi entalhada por Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa: 1730 - 1814) |
![]() Oratório doméstico; peça mineira do século XVIII, em madeira policromada, encerrando em seu interior imagens esculpidas em pedra sabão. Na parte inferior, uma cena do Nascimento de Jesus. |
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