Julho de 2010

Line of Control, 2008
Installation view: Altermodern, Tate Triennial 2009
Courtesy the artist and Hauser & Wirth
© Hauser & Wirth
Photo: Mike Bruce

Subodh Gupta
O "enfant terrible" da arte indiana
Texto de Gair Burton*

O aclamado “enfant terrible” da arte indiana, Sudodh Gupta, estourou no cenário da arte contemporânea ao apresentar suas deslumbrantes esculturas e instalações, que atraíram os holofotes em inúmeras bienais e exposições em museus.

Aos 44 anos, ele já entrou para a lista da revista Art Review como um dos 100 mais influentes no mundo das artes. Representado pela Hauser & Wirth, uma das mais prestigiadas e influentes galerias do mundo, exibiu ali a sua primeira individual no Reino Unido, em outubro de 2009.

Gupta é conhecido pelas suas espetaculares esculturas, onde uma infinidade de utensílios de aço inoxidável são fundidas, a fim de formar instalações que abordam temas globais. Igualmente teatrais e cerebrais, suas esculturas atuam em vários níveis, causando um impacto estético instantâneo, antes de convidar a reflexões mais profundas.

Os materiais utilizados são, muitas vezes, objetos do dia-a-dia presentes em toda a Índia, como as caixas de aço tiffin, produzidas em massa e usadas por milhões de indianos para levar seus almoços, panelas thali, bicicletas e baldes de leite. A partir destes elementos comuns, o artista cria estas deslumbrantes esculturas, que refletem a transformação econômica de sua terra natal, ao mesmo tempo que reconhecem a disseminação global da arte contemporânea.

Por exemplo: “Line of Control” (2008), uma colossal nuvem em formato de cogumelo, inteiramente construída por panelas e frigideiras, foi presença marcante na Tate Triennal de 2009. Impressionante e emocionante, sua forma remete à memória coletiva; seus componentes individuais, assim como o título, levam a uma crítica à corrida nuclear dos sub-continentes e a deprimente proliferação da mais destrutiva invenção humana. “Ghandi’s Three Monkeys” (2007-2008) também combina estes utensílios para formar três cabeças equipadas com acessórios militares - como capacete, óculos e máscara de gás - um lembrete de quão longe a Índia distanciou-se da política de não-violência de Gandhi.

Estes elementos tradicionais, que desempenham um papel tão importante em sua arte, também oferecem um simbolismo ambíguo: embora sejam reconhecidos pelos ocidentais como representantes da cultura indiana em geral, para os seus conterrâneos têm uma conotação mais especifica, muitas vezes sugerindo a pobreza e as castas.
Gupta faz instalações e pinturas tão bem quanto as esculturas, traduzindo os mesmos assuntos de um meio para o outro. Sua série de pinturas foto-realistas “Still Steal Steel” (2007-2008) realçam as tiffins e thalis usadas para compor peças tridimensionais, transformando estes objetos em imagens brilhantes e semi-abstratas.

Outras fotos mostram esteiras de bagagem, que transportam as malas de um lado para o outro nos aeroportos, dando um sentido literal para o tema da exportação cultural explorada tão exaustivamente em seu trabalho. Esta obra traz ainda o conceito de um mercado global de idéias e produtos que está extremamente ligado a tudo que é local.

Gupta frequentemente faz referências ao seu passado em Bihar, uma província do nordeste da Índia devastada por problemas sociais e econômicos. Realiza isso através da linguagem da história da arte, fazendo referências ao trabalho de outros artistas e a estilos de movimentos específicos. “A linguagem da arte é a mesma no mundo todo”, ele afirma, “o que me permite estar em qualquer lugar”.

Na sua recente exposição na Hauser & Wirth de Londres, Gupta usou seu talento de resignificar o banal para reinventar obras da história da arte. A apropriação de Marcel Duchamp’s à Monalisa de Da Vinci, “L.H.O.O.Q.”, sofreu uma mutação adicional, e o bigode icônico foi transformado por Gupta em uma escultura de bronze.

Gupta equilibra um conceitualismo fresco com a ternura e a memória, somando suas próprias expêriencias às oferecidas pela cultura. Ao fazê-lo, explora caminhos pelos quais os significados e os valores são construídos, testando a capacidade da arte de suportar os efeitos do deslocamento e da interpretação.

*Gair Burton, Hauser & Wirth London
www.hauserwirth.com


Untitled, 2009
Stainless steel utensils
119.4 x 106.7 x 44.5 cm
Cortesia do artista e da Hauser & Wirth
© Hauser & Wirth

Untitled, 2008
Óleo sobre tela
168 x 228.5 cm
Cortesia do artista e da Hauser & Wirth
© Hauser & Wirth

Everyday, 2009
Stainless steel, stainless steel utensils
75 x 240 x 240 cm
Cortesia do artista e da Hauser & Wirth
Photo: Mike Bruce

Spooning, 2009
Stainless steel
34 x 275 x 52 cm cada, 2 peças
Cortesia do artista e da Hauser & Wirth
Photo: Mike Bruce

Gandhi's Three Monkeys, 2007-08
Bronze, utensílios usados, aço
Cortesia do artista e da Hauser & Wirth
© Hauser & Wirth
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