Leonora Weissmann

Dentro da floresta, 2009
Acrílica e vinílica sobre tela
70 x 100 cm


"Floresta Encantada", de Leonora Weissmann

No mês de junho (2010) o público paulista pôde conferir as obras de Leonora Weissmann na Galeria Horizonte. Em cartaz com “Floresta Encantada”, a primeira individual da artista mineira em São Paulo apresenta 20 trabalhos em grandes formatos e técnicas em acrílica, vinílica e colagem sobre tela.

Apesar de abordar temas e formatos tradicionais da História da Arte – o retrato e a paisagem – Leonora Weissmann faz a opção não de pintar apenas a floresta, tema da mostra, mas inserir nas telas personagens comuns, que poderiam perfeitamente pertencer ao cotidiano de qualquer expectador. É uma temática simples que está longe de ser simplista. As nuances de cores, a força de cada combinação, os traços perfeitos e as expressões destas pessoas retratadas falam diretamente ao olhar e às sensações.

Neste mosaico de cores, nuances, traços e curvas, a artista evidencia a sua técnica apurada. Os detalhes são minuciosos e impressionam pelo jogo de luz e sombra, onde pessoas, animais e fragmentos da natureza mesclam-se e apresentam-se em um perfeito equilíbrio geométrico e visual.

Agnaldo Farias, no texto que introduz o catálogo da exposição, descreve: “O rosto, essa fonte inesgotável de mistério, nos é apresentado em versões variadas, consoante os diversos modelos de que a artista se vale: sérios e sorridentes, compenetrados e pensativos ou com o desajeito típico de quem não se sente a vontade posando. Junto com isso vem a cuidados modelação de cada imagem, o evidenciamento de suas depressões e saliências mais ou menos suaves, as áreas sombreadas, o contorno dos cabelos e das sobrancelhas, o desenho escandido da armação dos óculos. Como também nos chama a atenção a geometria espontânea ou organizada dos braços e pernas, o modo como as duas meninas avançam no meio do mato equilibrando-se com os braços abertos, um homem acomoda-se inclinando seu tronco sobre um guarda corpo, uma mulher abandona-se descansando sobre uma pedra, dois homens, registrados de frente, celebram sua amizade num abraço mútuo, uma mulher sentada com as pernas desalinhadas surpreende-nos pelo feerismo cromático de seu vestido, as linhas verticais exaltadamente coloridas que capturam e alimentam nosso olhar”.

Ao visitar esta exposição, imperdível, temos a sensação de que estamos diante de um trabalho bastante promissor. São telas que precisam ser vistas, revistas, contempladas e exaltadas por tudo que oferecem. E que o trabalho da artista, contínuo e diário, renda tantos bons resultados quanto os que podemos apreciar nesta mostra.

 

Abaixo, uma entrevista exclusiva com a artista:

Touch of Class: Quais as suas expectativas para esta primeira individual em São Paulo?

Leonora Weissmann: A expectativa maior é poder atingir um público diferente do que já vêm acompanhando meu trabalho em Minas. Um público diferente e bem maior também. Mostrar, expor é uma etapa fundamental do trabalho, não a etapa final, mas de imensa importância para o processo que não para.

 

TC: Dentre as telas da exposição, você destacaria alguma? Por quê?

LW: Destaco duas telas que formam um mesmo trabalho, a primeira é o meu autorretrato com o Marcelo Pretto, uma tela que trás o espírito da floresta encantada, como personagem. É uma imagem de dois amigos (eu e o Pretto) que registra um momento de uma viagem a partir da fotografia de lembrança. Em outro momento, em outra pintura, está o mesmo Marcelo Pretto e um outro amigo, registrados em um instante seguinte. E o fotógrafo de cada foto que virou "pintura" está ausente na imagem, mas presente quando é fotografado. As telas apresentam um mesmo cenário em dois instantes consecutivos, que é paradisíaco e encantado, com cachoeiras e elementos da paisagem que se misturam com a pintura. Acho que é por isso que gosto particularmente dessas pinturas.

 

TC: Como você desenvolveu o seu estilo e quais as suas referências?

LW: Eu nunca pensei em desenvolver um estilo. Apenas pintava e desenhava desde muito nova, com muitas referências artísticas dentro da família. De forma natural, sempre com muito prazer em pintar e desenhar resolvi estudar arte, formei em gravura e pintura na Belas Artes da UFMG, onde finalizei o mestrado recentemente. Tenho muitas referências, como por exemplo todos os grandes desenhistas e pintores de Minas Gerais. Posso partir de muitos pontos, mas escolhendo por exemplo, os retratistas como ponto de partida, citaria (claro que deixando milhares de fora) Guignard, Lucian Freud, David Hockney, Jenny Saville, Luc Tuymans, Elisabeth Peyton... tantos! Isso sem entrar nas grandes referências históricas.

 

TC: Você pretende estudar no exterior e desenvolver ainda mais o seu trabalho?

LW: Penso em talvez fazer um doutorado no exterior, mas sem local exato até o momento. Desenvolver meu trabalho, sempre, onde for.

 

TC: Quais os planos para alcançar o mercado internacional de arte?

LW: Espero que seja um caminho natural, poder mostrar meu trabalho nacional e internacionalmente. Tenho planos de continuar produzindo muito e estudando arte. 

 

Leonora Weissmann – Floresta Encantada
Exposição que aconteceu até junho de 2010, na Galeria Horizonte

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