Entender o comportamento do mercado é um dos fatores mais importantes para o colecionismo de arte – e as vendas em leilões são excelentes indicativos
O mercado de arte voltou a crescer em 2025, mas não da forma que muita gente imaginava. Segundo o Artnet Intelligence Report 2026, a retomada foi puxada por um número restrito de obras de altíssimo valor, enquanto boa parte do mercado segue operando em ritmo mais lento.
Esse descompasso fica ainda mais evidente nos leilões. Os resultados mais expressivos não vieram de volume, mas de poucas peças altamente disputadas, com forte lastro histórico e institucional.
A seleção a seguir reúne as obras mais caras vendidas nos principais segmentos. Um recorte direto que ajuda a entender onde está concentrado o valor hoje.
Arte Impressionista e Moderna

Em novembro, três obras de Gustav Klimt lideraram um leilão na Sotheby’s e puxaram a recuperação no topo do mercado impressionista e moderno. Em 2025, os maiores preços variaram de US$ 43 milhões a US$ 236,4 milhões, acima de 2024. Fora Klimt, poucas surpresas. O destaque foi Frida Kahlo, que bateu recorde com El sueño (1940), sinalizando maior atenção a artistas mulheres.
Pós-Guerra

Em 2025, o principal resultado do pós-guerra foi um Hockney vendido por US$ 44 milhões, abaixo dos US$ 68 milhões de um Ruscha em 2024. O ano foi considerado fraco pela escassez de obras relevantes. A demanda reagiu com peças de maior qualidade, como Agnes Martin e Yves Klein, que alcançou US$ 19,1 milhões. François-Xavier Lalanne também se destacou, mantendo forte apelo entre colecionadores.
Arte Contemporânea
Jean-Michel Basquiat dominou o ranking com cinco das dez maiores vendas, somando US$ 128,6 milhões, ainda distante do pico de 2021. Christopher Wool e Peter Doig retornaram à lista, enquanto Marlene Dumas foi a única mulher, estabelecendo recorde com Miss January (1997). O ranking reforça a força de nomes consagrados, com alta demanda institucional e oferta limitada.
Ultracontemporâneos
Mesmo com o esfriamento do ultra-contemporâneo, os nomes líderes pouco mudaram. Adrian Ghenie domina o ranking, com três das dez maiores vendas, embora com preços médios em queda. Sua presença institucional, com exposições em museus, sustenta sua relevância no mercado. O segmento ainda revela forte desequilíbrio de gênero, sem mulheres entre os destaques.
