Pesquisa do The Art Newspaper mostra nova geografia de público nos museus globais
O mais recente levantamento do The Art Newspaper, conduzido por Lee Cheshire e Elena Goukassian, oferece um retrato preciso da frequência global em museus em 2025 e revela um cenário de recuperação acompanhado por mudanças estruturais no comportamento do público.
Segundo a pesquisa, os 100 museus mais visitados do mundo somaram mais de 200 milhões de visitas ao longo do ano, número ainda abaixo dos 230 milhões registrados em 2019, mas significativamente acima do colapso observado em 2020. O dado indica uma retomada consistente, embora longe de ser uniforme.
Crescimento global, mas com novas lideranças
Um dos pontos mais relevantes do relatório é a redistribuição geográfica do público. Regiões como Ásia e América Latina registraram crescimento expressivo, impulsionadas por novos equipamentos culturais e forte demanda local. Já mercados mais tradicionais, como Europa e Estados Unidos, apresentam recuperação mais lenta ou estagnada em alguns casos.
A pesquisa mostra que novos museus vêm atraindo grande interesse, inclusive em cidades já consolidadas no circuito cultural. Esse movimento sugere que a expansão do setor não depende apenas de turismo internacional, mas também da capacidade de renovar a experiência e atrair novos públicos.
Ao mesmo tempo, instituições historicamente dominantes ainda enfrentam dificuldades para recuperar seus níveis pré-pandemia, evidenciando uma mudança no fluxo global de visitantes.
Pressão financeira e mudança de perfil do público
Apesar da retomada, o relatório reforça que volume de público continua diretamente ligado à sustentabilidade financeira das instituições. Museus com queda de visitantes enfrentam déficits, cortes de equipe e reestruturações operacionais, refletindo o impacto prolongado do cenário econômico global.
Outro fator relevante é a mudança no perfil do visitante. Em alguns mercados, a recuperação do público doméstico foi mais rápida do que a do turismo internacional, alterando a dinâmica de consumo cultural e impactando especialmente instituições voltadas à arte contemporânea.
Esse deslocamento sugere uma necessidade crescente de adaptação estratégica por parte dos museus, que passam a depender menos de fluxos turísticos tradicionais e mais de engajamento local.
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O papel das exposições e da experiência
O relatório também evidencia o impacto direto das exposições blockbuster na atração de público. Mostras dedicadas a nomes consagrados, como Monet e Van Gogh, continuam sendo grandes motores de visitação, enquanto exposições imersivas e experiências híbridas seguem como ferramentas relevantes de engajamento.
Por outro lado, diretores de instituições sinalizam um ponto de tensão: o excesso de público pode comprometer a experiência e até a preservação dos espaços, indicando um debate crescente entre acesso e sustentabilidade.
Um novo mapa para os museus
O panorama apresentado pelo The Art Newspaper aponta para um ecossistema em transformação. A retomada existe, mas vem acompanhada de uma redistribuição de público, novas pressões financeiras e mudanças no comportamento cultural.
Mais do que recuperar números, os museus estão sendo forçados a repensar seus modelos de operação, sua relação com o público e seu papel dentro de um sistema cultural cada vez mais descentralizado e competitivo.
