O relatório Artnet Intelligence Report 2026 revela sinais de recuperação no mercado de arte, com mudanças estruturais no comportamento de colecionadores e vendas
O mais recente Artnet Intelligence Report: The Year Ahead 2026 apresenta um panorama do mercado de arte que começa a sair de um ciclo de retração, mas ainda longe de um cenário de estabilidade plena. Após um período marcado por fechamento de galerias e retração de negócios, os dados indicam uma retomada moderada, impulsionada principalmente por uma forte performance no final do ano, especialmente em Nova York.
A recuperação, no entanto, não sinaliza um retorno ao modelo anterior. O relatório aponta para a consolidação de novas dinâmicas, com maior seletividade, mudanças nos canais de venda e uma reorganização do comportamento dos principais players do mercado.
O topo migra para o privado
Um dos movimentos mais relevantes identificados é a crescente migração de transações de alto valor para ambientes privados. Casas de leilão passaram a realizar vendas exclusivas, restritas a convidados, voltadas a obras raras e de altíssimo valor.
Esse deslocamento sugere uma mudança importante na lógica do mercado. Embora mais obras tenham sido negociadas publicamente do que em qualquer outro momento da última década, a disputa por peças de maior relevância acontece, cada vez mais, fora do alcance do mercado aberto.
Ao mesmo tempo, o uso intensivo de dados, especialmente por meio de plataformas como o banco de preços da Artnet, reforça a transparência em níveis mais amplos, criando uma dualidade entre opacidade no topo e maior visibilidade nas camadas intermediárias.
Retorno aos nomes consolidados
O relatório confirma uma tendência já observada em outros estudos recentes: o capital está migrando para artistas historicamente estabelecidos. O segmento ultra contemporâneo registrou queda pelo quarto ano consecutivo, enquanto categorias como Impressionismo e Moderno voltaram a liderar em valor.
Esse movimento indica uma mudança de apetite por risco. Após anos de especulação com artistas emergentes, colecionadores parecem priorizar obras com maior histórico de valorização e reconhecimento institucional.
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Novos protagonistas e expansão de categorias
Outro ponto de destaque é a ascensão do mercado de colecionáveis, que vem capturando participação relevante dentro do ecossistema da arte. Segmentos antes periféricos passam a disputar atenção e capital, ampliando o conceito tradicional de colecionismo.
Geograficamente, o Reino Unido apresentou crescimento expressivo, com alta de 11,3%, impulsionada por grandes vendas, como a coleção surrealista de Pauline Karpidas. Paralelamente, o relatório traz insights sobre mudanças no comportamento de colecionadores asiáticos e o papel crescente de advisors independentes na mediação de grandes negócios.

Um mercado mais sofisticado e menos previsível
O cenário traçado pelo Artnet Intelligence Report aponta para um mercado mais complexo, fragmentado e estratégico. A recuperação existe, mas vem acompanhada de uma mudança estrutural: menos transparência no topo, maior dependência de dados e uma revalorização de ativos considerados mais seguros.
Mais do que uma retomada, 2026 se desenha como um ponto de inflexão. Um mercado que segue vivo, mas operando sob novas regras.
O mercado de arte em números
- 13,3%: aumento no valor das vendas em leilão entre 2024 e 2025
- 67,9%: queda nas vendas de arte ultra-contemporânea em leilões desde 2021
- 16,8%: crescimento anual das vendas impulsionado pelas grandes casas (Sotheby’s, Christie’s e Phillips)
- 390,7 milhões USD: valor gerado pelas três obras mais caras vendidas em leilão em 2025 (todas de Klimt)
- 236,4 milhões USD: maior preço alcançado por uma obra em leilão (Klimt, Sotheby’s)
- 3,9 bilhões USD: total de vendas de arte decorativa em leilão em 2025 (alta de 7,5% vs. 2024)
- 437.626: número total de lotes vendidos em leilão em 2025 (maior volume anual já registrado, +7,5%)
- 36,1%: aumento no valor total de obras acima de USD 10 milhões em 2025 vs. 2024
- 423,9 milhões USD: total de vendas online nas principais casas (Sotheby’s, Christie’s, Phillips, Bonhams e Artnet Auctions)
- 10: número de mulheres entre os 100 principais artistas em leilão em 2025 (queda em relação ao ano anterior, que tinha 9 no top 100, mas 20 no top 200)
