Manifesta 16 Ruhr anuncia artistas e propõe novo modelo curatorial para bienais

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A Manifesta 16 revela seus participantes e aposta em um formato colaborativo que reposiciona o papel das bienais no mercado de arte contemporânea

A Manifesta 16 Ruhr divulgou a lista completa de participantes de sua edição de 2026, reunindo 106 artistas de 30 países em um programa distribuído por quatro cidades da região do Ruhr, na Alemanha. Com 64 novas comissões desenvolvidas especialmente para a bienal, o projeto reforça uma abordagem que privilegia processos, contextos e relações em vez de apenas resultados expositivos.

Mais do que uma seleção de nomes, a estrutura curatorial chama atenção. Os participantes foram escolhidos por um grupo de “mediadores criativos”, atuando individualmente ou em duplas intergeracionais, responsáveis por desenvolver projetos em diálogo direto com o território. O modelo rompe com a figura tradicional do curador central e propõe uma construção descentralizada e colaborativa.

A bienal como plataforma de processo

A Manifesta 2026 será realizada em 12 igrejas modernistas desativadas, distribuídas entre Bochum, Essen, Duisburg e Gelsenkirchen. Esses espaços são reativados como ambientes de experimentação artística e social, com foco na construção de novas formas de convivência e uso coletivo.

A programação reúne diferentes formatos, incluindo instalação, performance, pesquisa e práticas colaborativas. No entanto, o eixo central não está apenas nas obras finalizadas, mas nos processos que emergem ao longo da bienal, incluindo trocas entre artistas, comunidades locais e estruturas institucionais.

Esse direcionamento reforça uma tendência crescente no mercado de arte contemporâneo: o deslocamento do valor da obra como objeto para a experiência como construção relacional e contextual.

Descentralização e novos modelos de legitimação

A Manifesta, historicamente nômade, amplia aqui sua vocação experimental ao tensionar não apenas o formato expositivo, mas também os próprios mecanismos de legitimação artística. Ao integrar práticas locais e perspectivas internacionais, a bienal propõe um modelo híbrido, em que o território deixa de ser cenário e passa a ser agente ativo.

Esse movimento dialoga com uma transformação mais ampla do circuito global, em que bienais e instituições passam a disputar relevância não apenas pela qualidade das obras apresentadas, mas pela capacidade de gerar impacto social, engajamento e novas narrativas.

Ao anunciar sua lista de artistas, a Manifesta 16 Ruhr não apenas apresenta um programa, mas sinaliza um reposicionamento estratégico: menos espetáculo, mais processo; menos centralização, mais construção coletiva.


Os artistas e grupos que apresentarão novas obras comissionadas são:

Emre Abut (DE, 1985), Havîn Al-Sîndy (IQ), Begzada Alatovic (BA), Özlem Altın (TR, 1977), Mirosław Batka (PL, 1958), Llorenç Barber & Montserrat Palacios, (ES, 1948 & 1973), Mehtap Baydu (TR, 1972), Mabe Bethônico (BR, 1966), Sara Bichão (PT, 1986) Aline Bouvy (LU, 1974), Bureau Baubotanik (DE, 2010), Cabosanroque (ES, 2001), Pedro Cabrita Reis (PT, 1956), Curro Claret (ES, 1968), Constructlab (DE), Jason Dodge (US, 1969), William Engelen (NL 1964), Ayşe Erkmen (TR, 1949), Robert Fleck (AT, 1957), Katharina Fritsch (DE, 1956), Bérénice Gaça Courtin (FR, 1994), Niklas Goldbach (DE, 1973), Nicolas Grospierre (PL, 1975), Albe Hamiti (XK, 1988), Mona Hatoum (LB, 1952), Judith Hopf (DE, 1969), Julian Irlinger (DE, 1986), Pravdoliub Ivanov (BG, 1964), Sejla Kamerić (BA, 1976), Eva Kotátková (CZ, 1982), Athina Koumparouli (GR, 1983), Jarostaw Kozłowski (PL, 1945),Lilli Lake (DE, 1995), Justin Lieberman (US, 1977), Kateryna Lysovenko (UA, 1989), Miedya Mahmod (DE, 1996), Olaf Metzel (DE, 1952), Małgorzata Mirga-Tas (PL, 1978), Marina Naprushkina (BY, 1981), Donja Nasseri (DE, 1990), Julia Nitschke (DE, 1988), Navid Nuur (IR, 1976), Pınar Öğrenci (TR, 1973), Pele Collective (PT, 2007), Penique Productions (ES, 2007), Elizabeth Price (UK, 1966), Mykola Ridnyi (UA, 1985), Mesut-Sabuha Salaam (TR, 1966), Coumba Samba (US, 2000), Wilhelm Sasnal (PL, 1972), Augustas Serapinas (LT, 1990), Dennis Siering (DE, 1983), Mikołaj Sobczak (PL, 1989), SUPERFLEX (DK, 1993), Cassidy Toner (US, 1992), Nasan Tur (DE, 1974), Luc Tuymans (BE, 1958), Gülbin Ünlü, Evita Vasiljeva (LV, 1985), Emil Walde (DE, 1991), Weberei Kai (DE, 2018), Mira M. Yang (DE, 1993), Abbas Zahedi (UK/IN 1984), Amanda Ziemele (LV, 1990)

Outros artistas:

Mehmet Aksoy (DE, 1939), Bettina Allamoda (US, 1964), Halil Altındere (TR, 1971), Atiye Altül (TR, 1947), Akbar Behkalam (IR, 1944) Cana Bilir-Meier (DE, 1986), Ayzit Bostan (TR, 1968), Cudelice Brazelton IV (US, 1991) Vlassis Caniaris (GR, 1928-2011), Fatma Ceylan (TR, 1967), İsmail Çoban (TR, 1945-2024), Yıldırım Denizli (TR, 1946), Ihsan Ece (TR, 1949), Füruzan (TR, 1932-2024), Zuza Golińska (PL, 1990) Philipp Gutler (DE, 1989), Hava Güleç (TR), Abuzer Güler (TR, 1959), Mehmet Güler (TR, 1944), Cihangir Gümüştürkmen (TR, 1964), Nejla Gür (TR, 1952), Annika Kahrs (DE, 1984) Merve Kaplan (DE, 1997) Muhlis Kenter (TR, 1952), Azade Köker (TR, 1949), Katarzyna Kozyra (PL, 1963), Gasper Kunsic (SI, 1992), Alicja Kwade (PL, 1979), Julia Logothetis (AT, 1945), Mihaly Moldvay (RS, 1938-2024), Asimina Paradissa (GR, 1945), Jannis Psychopedis (GR, 1945), Judith Raum (DE, 1977), Anka Sasnal (PL, 1973), Metin Talayman (TR, 1939-1999), Nesrin Tanç (DE, 1977), Rıza Topal (TR, 1934-2025), Yıldız Tüzün (TR, 1932-2021), Ming Wong (DE, 1971), Nil Yalter (EG, 1938), Hanefi Yeter (TR, 1947), Serpil Yeter (TR, 1956)

 

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