A TEFAF retorna a Maastricht com 276 galerias de 24 países, reunindo mais de 7.000 anos de história da arte em um dos eventos mais tradicionais do mercado de arte
A nova edição da TEFAF Maastricht confirma a permanência de uma das feiras mais singulares do calendário internacional do mercado de arte. Realizado no Maastricht Exhibition and Congress Centre, na Holanda, o evento reúne em 2026 um total de 276 galerias provenientes de 24 países, apresentando obras que atravessam mais de sete milênios de história artística, da Antiguidade à produção contemporânea.
Fundada em 1988 pela European Fine Art Foundation, a feira construiu uma reputação particular dentro do circuito global. Diferentemente de eventos focados exclusivamente em arte contemporânea, a TEFAF se consolidou como um espaço de connoisseurship, no qual pintura, escultura, mobiliário, manuscritos, antiguidades e design convivem em um mesmo ambiente curatorial. Para muitos dealers, o evento funciona como uma espécie de “museu à venda”, onde galerias reservam algumas de suas peças mais relevantes ao longo do ano para apresentação durante a feira.
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Entre os destaques desta edição estão obras de artistas como Amedeo Modigliani, Edgar Degas, Joan Miró, Roy Lichtenstein e Pierre-Auguste Renoir. O dealer David Tunick, por exemplo, apresenta um autorretrato de Degas de 1857, executado em técnica mista de gravura e tinta manual, enquanto a galeria M. S. Rau exibe o retrato Le chapeau aux cerises (c.1884), de Renoir, avaliado em aproximadamente US$ 9,9 milhões.

Entre tradição e atualização do mercado
Embora seja historicamente associada a obras anteriores ao século XX, a TEFAF vem gradualmente ampliando a presença de arte moderna e contemporânea. Nesta edição, cerca de 67 galerias atuam nesse segmento, refletindo uma tentativa de equilibrar a tradição da feira com as transformações do colecionismo internacional.
Algumas seções também sinalizam mudanças curatoriais. O setor Focus, dedicado a apresentações individuais, inclui trabalhos do fotógrafo Robert Mapplethorpe, enquanto projetos especiais combinam linguagens distintas, como a colaboração entre o especialista em mapas raros Daniel Crouch e o galerista Michael Hoppen, que apresenta fotografias urbanas do artista japonês Sohei Nishino em diálogo com cartografia histórica.
A amplitude temporal da feira continua sendo uma de suas marcas mais reconhecidas. Entre os objetos mais antigos apresentados está um jarro cerimonial neolítico chinês datado entre 2200 a.C. e 2000 a.C., enquanto outras galerias exibem manuscritos medievais, esculturas egípcias antigas e pinturas do barroco europeu.
Mesmo diante de incertezas geopolíticas recentes, dealers e organizadores afirmam que o interesse internacional permanece elevado. Tradicionalmente frequentada por curadores de grandes museus e importantes colecionadores privados, a feira segue como um ponto de encontro estratégico para instituições que buscam ampliar coleções históricas e enciclopédicas.
Com sua combinação de rigor na seleção de obras e amplitude histórica, a TEFAF mantém um posicionamento distinto no ecossistema do mercado de arte global, funcionando como um espaço onde diferentes períodos e categorias artísticas continuam a dialogar em um mesmo palco.
