O mercado de arte nos EUA registrou sinais de estabilização em 2025, segundo novo relatório do Bank of America e da ArtTactic
Um novo relatório sobre o mercado de arte publicado pelo Bank of America em parceria com a consultoria ArtTactic aponta que o setor nos Estados Unidos apresentou sinais de recuperação em 2025, embora em uma configuração bastante diferente da fase especulativa que marcou o início da década. As vendas em leilão cresceram 23% em relação ao ano anterior, alcançando cerca de US$ 3,17 bilhões.
Esse crescimento, no entanto, não foi impulsionado por uma expansão generalizada da demanda. O relatório indica que a alta foi sustentada principalmente por grandes consignações provenientes de coleções particulares, pelo retorno do interesse em artistas históricos consolidados e pelo uso crescente de garantias financeiras para viabilizar vendas de alto valor.
Mudança de perfil nas compras e nas garantias
Uma das transformações mais evidentes é a mudança no comportamento dos colecionadores. Durante o boom do mercado na pandemia, tornou-se comum revender obras adquiridas recentemente – muitas vezes em menos de dois anos. Em 2025, essa estratégia passou a apresentar desempenho negativo: obras revendidas em até cinco anos registraram retorno médio anual de –5,7%. Já peças mantidas por mais de uma década continuaram gerando ganhos positivos.
Esse movimento favoreceu categorias históricas, como arte impressionista e moderna, enquanto o segmento de artistas contemporâneos emergentes sofreu retração significativa. Segundo o relatório, as vendas de obras de artistas jovens caíram cerca de 40% no período.
Outra mudança estrutural envolve o papel das garantias financeiras no sistema de leilões. Em 2025, cerca de 80% do valor das vendas noturnas em Nova York foi respaldado por garantias – o nível mais alto desde 2015. Em quase todos os casos, esses compromissos foram assumidos por investidores externos, e não pelas próprias casas de leilão.
Novo mapa geográfico do colecionismo
O estudo também aponta uma redistribuição geográfica do poder de compra no mercado americano. Colecionadores da costa oeste, especialmente na Califórnia, Washington e Arizona, representaram cerca de 35% das aquisições em 2025. Em contraste, o nordeste dos Estados Unidos perdeu participação ao longo da última década.
Estados como Flórida e Texas passaram a concentrar maior volume de riqueza e infraestrutura cultural, impulsionando cidades como Miami e Los Angeles como novos polos de mercado.
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Apesar da recuperação recente nas vendas, o relatório também relativiza a ideia da arte como investimento financeiro consistente. Em 2025, obras revendidas em leilão geraram retorno médio anual de 4,4%, abaixo do desempenho de 16% registrado pelo índice S&P 500 no mesmo período.
Os dados sugerem que o mercado de arte segue relevante como reserva de valor no longo prazo, mas menos confiável como instrumento de retorno rápido – um ajuste que reflete a maturação do setor após anos de forte especulação.
