Bienal de Veneza 2026 anuncia 111 artistas de sua exposição principal

0

“In Minor Keys”, concebida por Koyo Kouoh, reunirá majoritariamente artistas do Sul Global na próxima edição da Bienal de Veneza

A Bienal de Veneza anunciou os 111 artistas e coletivos que integrarão a exposição principal da 61ª edição, intitulada In Minor Keys, com abertura ao público em 9 de maio de 2026. Concebido pela curadora Koyo Kouoh antes de sua morte, o projeto será realizado por sua equipe curatorial e marca uma edição de escala mais concentrada, com forte presença de artistas do Sul Global.

Do total de participantes, 105 são artistas individuais e seis são organizações lideradas por artistas. Em contraste com a edição anterior, que ultrapassou 300 nomes, a mostra de 2026 reduz significativamente o número de participantes, privilegiando práticas contemporâneas majoritariamente vivas. A faixa etária vai de Mmakgabo Mmapula Helen Sebidi, nascida em 1943, a Mohammed Z. Rahman, nascido em 1997.

Entre os artistas confirmados estão Otobong Nkanga, Wangechi Mutu, Torkwase Dyson, Alvaro Barrington, Ebony G. Patterson, Nick Cave e Tuấn Andrew Nguyễn além dos brasileiros Ayrson Heráclito e Eustaquio Neves. O australiano Khaled Sabsabi, que representa a Austrália após um processo controverso de seleção e reintegração, também integra a mostra principal.

Vodun Agbê II, 2010, obra de Ayrson Heraclito - artista brasileiro selecionado para a exposição principal da Bienal de Veneza 2026

Vodun Agbê II, 2010, obra de Ayrson Heraclito – artista brasileiro selecionado para a exposição principal da Bienal de Veneza 2026

Estrutura curatorial e centralidade do Sul Global

A exposição será organizada em torno de motivos conceituais como “Shrines”, “Procession”, “Schools”, “Rest” e “Performances”. Dois “santuários” no Pavilhão Central prestarão tributo a Issa Samb e Beverly Buchanan, referências fundamentais para a visão curatorial de Kouoh. O eixo “Procession” dialoga com tradições afro-atlânticas e carnavalescas, propondo formas de circulação menos lineares no espaço expositivo.

Outro destaque é a inclusão de organizações como Raw Material Company (Dacar), GAS Foundation (Lagos), Nairobi Contemporary Art Institute e Denniston Hill (EUA), reforçando a noção de “escolas” como ecossistemas formativos e redes de sustentação artística.

A equipe curatorial, composta por Gabe Beckhurst Feijoo, Marie Hélène Pereira, Rasha Salti, Rory Tsapayi e Siddhartha Mitter, destacou que a exposição evita divisões rígidas e busca operar por “prioridades” e frequências sensíveis, em diálogo com referências literárias como Toni Morrison e Gabriel García Márquez.

Diferentemente de edições recentes, não haverá Leões de Ouro por Contribuição Vitalícia, já que Kouoh não chegou a indicar os homenageados. Com número reduzido de participantes e foco em práticas contemporâneas vivas, a edição de 2026 posiciona-se como um retrato concentrado da produção atual, com ênfase geopolítica clara e atenção ampliada às redes culturais do Sul Global.

A lista completa dos artistas participantes da exposição principal da Bienal de Veneza de 2026 pode ser encontrada aqui.

Share.

Leave A Reply