Christie’s destaca três obras centrais da coleção de Agnes Gund em leilão de maio, com estimativa superior a US$ 120 milhões
A Christie’s anunciou que três obras históricas da coleção de Agnes Gund irão liderar suas vendas de maio em Nova York, somando uma estimativa combinada superior a US$ 120 milhões. O conjunto reúne obras de Mark Rothko, Cy Twombly e Joseph Cornell, artistas fundamentais para a consolidação da arte do pós-guerra no mercado internacional.
O destaque é No. 15 (Two Greens and Red Stripe) (1964), de Mark Rothko, adquirido diretamente do artista em 1967 e mantido por décadas na residência de Gund. Estimado na região de US$ 80 milhões, o trabalho nunca foi oferecido em leilão, fator que potencializa seu apelo no mercado secundário. Com mais de dois metros de altura, a pintura sintetiza a fase tardia do artista, marcada por campos cromáticos densos e tensão formal contida.
Agnes Gund e o impacto no mercado de arte
A proveniência é um ativo estratégico neste lote. Agnes Gund, ex-presidente do Museum of Modern Art (MoMA) e figura central na filantropia cultural americana, construiu uma coleção marcada por convívio direto com artistas e forte compromisso institucional. Obras adquiridas diretamente de estúdio e mantidas em coleções únicas tendem a gerar disputas mais intensas, sobretudo em um momento de seletividade por parte dos compradores globais.
Untitled (1961), de Cy Twombly, estimado entre US$ 40 milhões e US$ 60 milhões, pertence a um período crucial da produção romana da artista, quando seus gestos caligráficos ganharam maior densidade e escala. Já Untitled (Medici Princess) (1948), de Joseph Cornell, avaliado entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões, reforça o diálogo entre assemblage, memória histórica e narrativa poética que consolidou o artista no circuito institucional.
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A venda ocorre em um contexto de cautela estratégica no mercado de arte, no qual obras frescas ao mercado, com histórico limpo e lastro institucional, assumem protagonismo. O Rothko, em especial, pode tensionar o recorde atual do artista em leilão, de US$ 86,8 milhões, alcançado em 2012.
Mais do que um evento comercial, a dispersão pontual dessas obras representa um capítulo simbólico na trajetória de uma das colecionadoras mais influentes das últimas décadas. Gund já havia redefinido o papel do colecionador ao destinar recursos significativos para iniciativas de justiça social, e sua coleção ajudou a moldar museus americanos. Agora, o mercado acompanha como esse legado será reprecificado na arena global.

