Singapura consolida liderança na arte do Sudeste Asiático e transforma a região em agenda global

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Com Art SG maior e instituições fortes, Singapura reforça seu papel como polo de arte no Sudeste Asiático, conectando artistas, feiras e públicos

O Sudeste Asiático vive um boom de atenção, com novos projetos surgindo, iniciativas da década de 2010 amadurecendo e um interesse global crescente pela cultura da região. Nesse cenário mais distribuído entre cidades como Jacarta, Bangkok e Manila, Singapura segue como o ecossistema mais profissionalizado e institucionalmente sólido, atuando como ponto de convergência entre cenas nacionais que, muitas vezes, operam em silos.

O motor dessa centralidade é uma combinação rara: política pública, instituições de peso e calendário consistente. Um colecionador local observa que o National Arts Council não promove apenas artistas singapurianos, mas sustenta um mandato de apoio regional. Curadores reforçam que instituições como a National Gallery Singapore e o Singapore Art Museum, além de eventos como a Singapore Biennale e a Singapore Art Week, mantêm foco contínuo em desenvolver e exibir práticas do Sudeste Asiático, ajudando a cidade-estado a funcionar como “nó central” e catalisador de outros polos.

Art SG cresce, mas a cena independente sente o impacto

A feira Art SG se expande e absorve a S.E.A. Focus, reunindo 106 expositores de 30 países, muitos do próprio Sudeste Asiático. É tração relevante para mercado e colecionismo: a edição anterior atraiu mais de 40 mil visitantes e amplia o apetite de colecionadores regionais por um recorte de descoberta. Ao mesmo tempo, o texto aponta um efeito colateral: a incorporação da S.E.A. Focus pode enfraquecer a vitrine de artistas menos comerciais e mais experimentais, justamente um espaço importante para risco e curadoria.

Essa tensão se agrava num momento de perdas no circuito independente, com o fechamento de espaços que eram âncoras por anos. Ainda assim, o horizonte não é de retração, e sim de reconfiguração: surgem contrapesos como a Bangkok Kunst-halle e o Dib Bangkok, e o novo Vũ Dân Tân Museum em Hanói, com promessa de pesquisa, exposição e educação. Soma-se a isso uma base já robusta de instituições que elevaram a ambição de “curar a região”, como Ilham Gallery, MAIIAM, Museum MACAN e o Jim Thompson Art Center.

Vista da instalação da exposição Diplomacia e Desejo: Basoeki Abdullah em Singapura. Galeria Nacional de Singapura

Vista da instalação da exposição Diplomacia e Desejo: Basoeki Abdullah em Singapura. Galeria Nacional de Singapura

Cinco exposições de arte para ver durante a Art Week Singapura

  • Diplomacy and Desire: Basoeki Abdullah in Singapore (National Gallery Singapore, até 1º de fevereiro)
  • The Print Show e o simpósio The Politics of Print (STPI, 22 a 31 de janeiro; simpósio 23 e 24)
  • Wan Hai Hotel: Singapore Strait (Warehouse Hotel, 20 a 31 de janeiro)
  • Ground Loops (The TreeTop, 22 a 31 de janeiro)
  • chapalang (Artspace @ Helutrans, 22 de janeiro a 1º de fevereiro)

Fonte: The Art Newspaper

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