Colecionadores arriscam apostas para 2026 e revelam novos vetores do mercado de arte

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Com megaaberturas e novas feiras no radar, colecionadores indicam quais artistas, exposições e tendências podem acelerar o mercado de arte em 2026

O calendário de 2026 já nasce com cara de “ano definidor” para o mercado de arte. Entre inaugurações aguardadas como o novo campus do LACMA, a chegada do Guggenheim Abu Dhabi, e marcos como a Bienal de Veneza, a Whitney Biennial e a expansão da Art Basel para o Qatar, colecionadores estão reposicionando suas apostas. O ponto em comum é menos sobre corrida por hype e mais sobre visão de longo prazo, com atenção a acesso, tecnologia, novos polos e programas curatoriais consistentes.

Um dos sinais mais fortes aparece na revalorização institucional e simbólica de artistas historicamente sub-representadas. A colecionadora Mitra Murthy observa um “recentramento” de mulheres artistas em cânones antes dominados por homens, citando a comissão de vitrais de Claire Tabouret para Notre-Dame e a exposição “Frida: The Making of an Icon”, no Museum of Fine Arts, Houston. Ao mesmo tempo, ela antevê maior exposição para artistas do Sul da Ásia, com destaque para Hiba Schahbaz, e enxerga Houston ampliando presença no circuito, na esteira de feiras e do reconhecimento de artistas locais.

Tecnologia, por sua vez, deixa de ser promessa e entra no operacional do mercado de arte. Sean Green, à frente de uma empresa de arte e tecnologia, defende que a IA pode reduzir fricções clássicas da compra, como demora em disponibilidade e fretes, ajudando galerias a “servirem melhor” colecionadores e devolvendo energia para relacionamento e fechamento. Na mesma direção, Aleksandra Artamonovskaja projeta um mercado mais amplo em faixas de preço acessíveis, impulsionado por mudança geracional e por um apetite maior por experimentação, narrativa e práticas transdisciplinares, cenário em que a arte digital tende a ganhar tração.

Tendências que mudam o eixo do jogo do mercado de arte em 2026

A geografia do mercado de arte também se desloca. Patrick Sun prevê um ano “transformador” para a arte asiática e aponta uma agenda institucional e curatorial com maior visibilidade para artistas e temas LGBTQ+. Alan Lo reforça a atenção a feiras menores e mais consideradas, como a Art Collaboration Kyoto, e descreve ativação crescente no Leste e Sudeste Asiático, com novos projetos e instituições em cidades como Taipei, Bangkok, Singapore e Manila. Em paralelo, Alia Al-Senussi destaca Art Basel Qatar como momento de aprendizado e colecionismo de artistas do mundo árabe e além, em conexão direta com a Diriyah Contemporary Art Biennale.

Outro vetor relevante é o reposicionamento de museus como agentes de formação de público. Pete Scantland vê 2026 como o ano em que instituições intensificam políticas de acesso, com programas de entrada gratuita como resposta direta a cobranças por relevância cívica. Esse movimento conversa com a aposta de Jennifer Gilbert: arte deixando de ser “camada final” e virando item orçamentário desde o início em empreendimentos e projetos comerciais, especialmente fora dos hubs tradicionais.

No plano de gosto e linguagem, o colecionador Dan Sallick projeta a retomada da fotografia contemporânea em grande escala, após um período de preços mais suaves, citando presença deste suporte na Art Basel Miami Beach e um possível retorno de demanda por nomes como Andreas Gursky e Jeff Wall, junto a uma geração global mais diversa. Já Dylan Abruscato crava uma tese direta: 2026 pode ser o ano em que as pessoas voltam às galerias, com uma nova geração de espaços mais experimentais e menos intimidadores, reposicionando a visita como experiência social, não só transação.

Em síntese: 2026 se desenha como um ano em que o mercado de arte tenta crescer por qualidade de relação, curadoria e acesso, não apenas por volume e espetáculo. Menos fumaça, mais estrutura. E, para quem trabalha comunicação no setor, o recado é cristalino: o discurso que performa melhor é o que conecta obra, contexto e comunidade com clareza e desejo real de presença.

Fonte: Artsy

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