A primeira edição da Art Basel Qatar marca um novo capítulo do mercado de arte global, com forte ênfase em transformação, território e identidade.
A Art Basel revelou novos detalhes de sua aguardada estreia no Oriente Médio com a primeira edição da Art Basel Qatar, programada para fevereiro de 2026, em Doha. A iniciativa representa um movimento estratégico no mercado de arte, ampliando a presença da feira em uma região historicamente conectada a fluxos culturais, econômicos e geopolíticos em transformação.
A edição inaugural reunirá 87 galerias de 31 países e territórios, apresentando obras de 84 artistas, com mais da metade oriunda do eixo MENASA (Middle East, North Africa e South Asia). Sob a direção artística de Wael Shawky, em colaboração com Vincenzo de Bellis, o evento adota como eixo curatorial o conceito de Becoming, propondo reflexões sobre transformação material, social, ambiental e identitária.
O projeto se distribui por espaços-chave de Msheireb Downtown Doha, incluindo o M7 e o Doha Design District, reforçando a estratégia da Art Basel de integrar feiras a ecossistemas urbanos e culturais locais. Essa abordagem amplia o impacto institucional da feira e fortalece o diálogo entre o mercado de arte global e práticas artísticas enraizadas em contextos regionais.

Vincenzo de Bellis, diretor artístico e diretor global de feiras da Art Basel, e Wael Shawky, diretor artístico da Art Basel Qatar. Imagem cedida pela Art Basel. Foto de Jinane Ennasri.
Um novo modelo de feira e a expansão do mercado de arte
O grande diferencial da Art Basel Qatar está no ambicioso programa Special Projects, descrito como o mais extenso conjunto de obras públicas já realizado por uma edição da feira. São nove projetos de grande escala, envolvendo escultura, vídeo, performance, arquitetura e instalações site-specific, espalhados pelo espaço urbano.
Entre os artistas participantes estão Bruce Nauman, Abraham Cruzvillegas, Nalini Malani, Khalil Rabah, Hassan Khan e Sumayya Vally, entre outros. As obras abordam temas como memória ambiental, deslocamento, escassez, herança colonial e futuros possíveis, conectando a produção artística às tensões contemporâneas que atravessam o mercado de arte.
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No setor Galleries, nomes como Hauser & Wirth, David Zwirner, Pace Gallery, Almine Rech e Lia Rumma Gallery reforçam a força institucional e comercial da feira, apresentando artistas como Marlene Dumas, Shirin Neshat, Philip Guston, Etel Adnan e Hassan Sharif.
Paralelamente, a Art Basel Qatar acontece em sinergia com uma ampla programação do Qatar Museums, incluindo exposições dedicadas a I. M. Pei, além de mostras que reposicionam o debate sobre arquitetura, sustentabilidade e participação social. Esse ecossistema reforça o papel da feira como plataforma cultural e econômica, não apenas como evento comercial.
Com essa estreia, a Art Basel Qatar se consolida como um novo eixo estratégico do mercado de arte global, conectando produção regional, colecionismo internacional e narrativas contemporâneas em um território que passa a ocupar posição central no circuito das grandes feiras.
