Da arte multimídia ao retrato contemporâneo, a Artsy mapeia os artistas com maior salto de demanda em 2025 e os sinais por trás disso
A Artsy divulgou a lista dos 10 artistas com maior crescimento ano a ano em solicitações de interesse por obras em 2025, considerando o período de janeiro a novembro. O recorte é direto e útil para leitura de mercado: a plataforma associa esses picos a gatilhos bem conhecidos do sistema de arte, como presença em grandes publicações, exposições institucionais relevantes, participação em feiras e marcos de carreira que aumentam visibilidade e confiança do comprador.
No topo, David Lynch registrou um salto de 2940% nas inquiries, impulsionado por uma atenção renovada à sua produção visual após sua morte em janeiro. A Artsy reforça o ponto de que a demanda, em certos casos, não é só construída, ela também é reativada por contexto cultural. Em seguida, aparecem Guim Tió Zarraluki (1350%), com tração combinando vitrine institucional e termômetro de rede social, além de presença em feira e exposições em Paris, Madrid e Montreal, e Danny Fox (1210%), com narrativa biográfica forte, feature na Vogue e sequência de mostra institucional no Reino Unido e exposição em Londres.
- Bienal de Whitney 2026 anuncia 56 artistas e propõe um retrato relacional da vida contemporânea
- As 10 mulheres artistas mais caras da história: recordes que moldam o mercado global
- Top 10 artistas americanos vivos mais vendidos em leilões
A lista também mostra como a pauta pública e a instituição podem reorientar interesse. Amy Sherald (710%) volta ao centro do debate após repercussão envolvendo sua exposição “American Sublime” e questões de censura, com circulação institucional e força de imagem já consolidada desde o retrato oficial de Michelle Obama. Hilary Pecis (685%) cresce com naturezas-mortas e cenas íntimas, apoiada por exposições em São Francisco e Londres e por inserção consistente em museus e galerias.
O que a lista sinaliza para colecionadores e galerias
Há ainda um eixo claro de maturidade e legitimação tardia: Olga de Amaral (684%) confirma uma ascensão de fim de carreira, com retrospectiva europeia e trajetória que atravessa instituições e Bienal de Veneza. Em outro registro, Wes Lang (682%) amplia buzz no fim do ano, com mostras em Chicago e Lyon e um imaginário reconhecível que circula entre a arte e a cultura pop. Sho Shibuya (646%) reforça a lógica do gesto contínuo e do “diário visual” com sua série sobre jornais e ativações que expandem o alcance, incluindo colaboração com marca. Dean West (573%) traz a fotografia encenada como construção de identidade e lifestyle, somando presença em feiras internacionais. Fechando o top 10, Derek Fordjour (408%) amplia demanda com prêmios, exposições e um projeto público de grande escala no High Line, além de representação por galerias de peso.
No conjunto, a lista funciona como um radar de como atenção, instituição, narrativa e circulação se convertem em intenção de compra. Para o mercado, é um lembrete simples: visibilidade não basta, ela precisa estar amarrada a contexto, consistência e leitura de timing.
| Artista | Crescimento em buscas | |
|---|---|---|
| 1 | David Lynch | +2940% |
| 2 | Guim Tió Zarraluki | +1350% |
| 3 | Danny Fox | +1210% |
| 4 | Amy Sherald | +710% |
| 5 | Hilary Pecis | +685% |
| 6 | Olga de Amaral | +684% |
| 7 | Wes Lang | +682% |
| 8 | Sho Shibuya | +646% |
| 9 | Dean West | +573% |
| 10 | Derek Fordjour | +408% |

