A SAGA DE JOEL ROBUCHON
Por Marcelo Steiner

Ouvi falar de Joel Robuchon pela primeira vez através de um amigo gourmet. Ele me disse que o melhor restaurante de Paris era o Jamin, um pequeno lugar no número 32 da Rue de Longchamp, a poucos metros do atelier do grande pintor brasileiro Cícero Dias.

Fiquei maravilhado com o caranguejo e com o foie gras – a ponto de decidir voltar lá todas as vezes nas quais eu estivesse em Paris. Alguns anos depois, no auge de sua fama, quando Joel Robuchon era considerado o maior “chef” da atualidade, aparece a declaração bombástica para o mundo da culinária: ele iria se aposentar!

Anos depois, sempre ligados às noticias do mundo gastronômico, os fãs “órfãos” do grande Joel respiraram aliviados com a notícia de que ele iria voltar, num restaurante sem grandes pretensões. O formato do novo restaurante seria o de um sushi-bar, com as pessoas sentadas ao balcão, degustando seus maravilhosos pratos em meias porções, para experimentar de tudo um pouco.

Claro que eu também não resisti.

Assim que cheguei à Paris, corri para a porta do L’Atelier (que em seu começo não aceitava reservas) e fiquei esperando por horas a minha vez de entrar. Esperei entre tranqüilo e ansioso, é verdade, já que todos os que saíam do restaurante só tinham elogios.

Quando finalmente chegou a minha vez, a codorna laqueada com purê de trufas brancas compensou toda a espera. Lógico que o caranguejo, o foie gras, o biscoito de pata negra e os mariscos também ajudaram, mas a codorna era simplesmente espetacular! Olhando em volta percebi que na nova fórmula, mesmo sem a presença do “chef” e com preços mais baratos, a comida ainda era muito boa.

Apesar de agradecida pela volta do “chef”, a clientela estava insatisfeita por não poder apreciar as iguarias confortavelmente sentados à mesa, ao invés do balcão, e degustar grandes vinhos – que também não apareciam na carta do L’Atelier. As reclamações começaram e eis que o mestre aparece então com a “Table de Joel Robuchon”: mesas, cadeiras confortáveis, reservas e grandes vinhos!

Mesmo sendo dificílimo conseguir reserva, respirei aliviado. Não precisava mais esperar na porta pela minha codorna. Fui verificar in loco e a codorna estava espetacular, como era de se esperar, e desta vez não fiz a besteira de pedir apenas meia-porção. A carta de vinhos estava impecável e até o bife com batata frita do meu filho, de gritar de bom! Qual era o segredo para um bife com batata frita virar gourmet?

Continuei a perseguir o Monsieur Robuchon. Quando ele inaugurou o L’Atelier de Nova York eu estava lá. Não estava esplêndido, mas era a semana de inauguração, a equipe estava atrapalhada e já passava das onze da noite... Como conheço a competência do “chef”, vou lhe dar outra chance na minha próxima viagem para lá.

E qual não foi minha surpresa ao descobrir que o “chef” mais estrelado do Guia Michelin tem um três estrelas também em Tóquio! Não precisa ser nenhum gênio para adivinhar onde eu vou jantar na próxima vez que eu for ao Japão, não?

Nova York
L’Atelier
Four Seasons Hotel New York
57 East 57th St.
das 11h30 às 14h30 e das 18h às 23h
Tel.: +1 212.350.6658

Paris
La Table
16, Avenue Bugeaud
das 12h às 14h30 e das 19h às 23h
Tel.: + (33) 1.56.28.16.16

L’Atelier
5, rue de Montalembert
das 11h30 às 15h30 e das 18h30 à meia-noite
Tel.: + (33) 1.42.22.56.56

Tóquio
L’Atelier
Mori Tower, Roppongi Hills, Tokyo
Tel.: + (81) 03-5772-7500

La Table
das 11h30 às 14h30 e das 18h às 22h
Tel.: +(81) 03-5424-1338