RELÓGIOS IWC: CLÁSSICO MODERNO OU MODERNO CLÁSSICO
Por Idel Arcuschin
Todo mundo sabe da paixão, quase fixação, que os homens têm por máquinas e carros. São objetos de desejo que não nos deixam ao longo da vida. Eu, por exemplo, estou feliz com a minha Mercedes, mas sempre fico de olho se um outro modelo me fascina inexoravelmente. O mesmo acontece com os relógios – porém estes, ao contrário dos carros, são mais abordáveis e podemos ampliar a coleção!
Nunca vou esquecer de quando ganhei meu primeiro relógio, um modelo da Vacheron Constantin. Meu pai escolheu esta marca para me introduzir no magnífico universo da alta relojoaria. Além da tradição das grifes, o que atrai o colecionador é a alta técnica em seus mecanismos e acabamento que, de forma curiosa, chamam de “complicações”. Quanto mais complicados mais atraentes e, claro, mais caros.
Dentre todas estas pequenas preciosidades, a que mais me encanta no momento é a marca suíça IWC (International Watch Company). De incrível personalidade, a IWC tem me motivado bastante a estar update com a marca. Fundada em 1868, sua fábrica é localizada em Schaufhausen (Suíça alemã), local onde se deu início à lenda da empresa. São apenas 30 mil relógios por ano para abastecer ávidos admiradores ao redor do globo, sendo uma das poucas marcas que têm condições de assumir todas as etapas de fabricação: do maquinário ao último pino, tudo é feito por artesãos da IWC. O estilo rústico e ao mesmo tempo sofisticado destas máquinas de marcar o tempo me fascina pelos detalhes em seus acabamentos e pela sofisticação de seus mecanismos. Desde 2000, a marca pertence ao poderoso grupo Richemont, holding que controla marcas como Cartier, Vacheron Constantin, Montblanc e Piaget, entre outras.
Clássico moderno ou moderno Clássico. Esta poderia ser uma descrição do venerável modelo da IWC, o “Portuguese”, que em minha opinião é imprescindível nos pulsos de quem procura elegância. É relógio de verdade. A dica, entre os vários tipos desta família de relógios, é um modelo de edição limitada que pode ser, por exemplo, um “Portuguese Repetição de Minutos”, em platina com seu robusto diâmetro de 43 mm, tamanho de relógio de bolso. “Uma síntese extraordinária entre a mais antiga e a mais moderna arte relojoeira”, diz o chiquérrimo catálogo que a fábrica me enviou. O IWC “Portuguese” é um modelo coringa que pode ser utilizado tanto em um dia no campo como em um jantar de negócios em Frankfurt.
A marca tornou-se muito conhecida (mas veja bem, entre e tão somente os conneceurs) com seus relógios voltados para aviação. O famoso modelo “Big Pilot” da IWC nasceu na década de 40 e faz parte da história da relojoaria, e talvez até da aviação, com seu shape bastante característico pela robustez, com um diâmetro maior que os outros. O modelo original foi desenvolvido especialmente para comandos militares, para facilitar navegação e a observação dos pilotos.
O modelo que mais me agrada é o “Aquatimer”. Desde que foi criado pelos engenheiros da IWC, são referência de modelo esportivo para mergulho. Imaginem que a IWC homenageou o grande oceanógrafo francês Jacques Cousteau, com pulseira de borracha e cores alusivas aos recifes de coral do Mar Vermelho, onde Cousteau fazia suas expedições.
Recentemente, tive a honra de conhecer uma lenda viva da IWC no evento de lançamento dos relógios “Da Vinci”, linha em homenagem ao artista Leonardo Da Vinci. Trata-se do Sr. Kurt Klaus. Foi ele quem inovou o mecanismo do calendário perpétuo para IWC e, com isto, inaugurou uma nova era no mundo da relojoaria de alto luxo. Com uma simplicidade fora do comum, o Sr. Kurt Klaus nos presenteou com explicações e detalhamentos sobre sua invenção, além de apresentar a limitadíssima edição de relógios que leva seu nome, outra jóia para encher os olhos de qualquer apreciador de relógios.
Além de ser um relógio que encanta até os menos apaixonados, a marca IWC traça seu marketing com estilo vanguardista, diferentemente da tradição relojoeira que conheço. Investe em importantes parcerias, como a estabelecida com a AMG, fabricante dos motores da Mercedes, que possibilitou a criação do relógio “Ingeniur”, ou com a Top Gun e a Antoine de St. Exupéry Foundation, para as linhas de relógios “Pilot”, o que acaba aliando novos conceitos aos relógios. A IWC é também grande parceira de algumas das maiores ONGs do mundo, como a Fundação Laureus para o esporte, que ajuda a incluir socialmente milhares de jovens carentes espalhados pelo planeta.
Com tanto motivos assim fica fácil identificar e sentir o quanto esta marca de relógios é sofisticada e inovadora ao mesmo tempo. |