UM GIRO PELO MUNDO
Por Antonio Pizzonia

Imagine um garoto de apenas 10 anos de idade, que vivia na grande e inóspita Amazônia, pegar o gosto pela velocidade, e alguns anos depois na Fórmula 1. Pode parecer roteiro de um filme, algo como a Gata Borralheira, mas é realidade. O amazonense Antonio Pizzonia passou esta experiência, e neste processo de construção de sua carreira teve de rodar o mundo para mostrar sua competitividade.

Um piloto de nível internacional é também um executivo nos tempos atuais. O automobilismo é um esporte cada vez mais elitista e que envolve, também cada vez mais, interesse de empresas, fabricantes e patrocinadores, movimentando assim uma quantia considerável de dinheiro que é investido no esporte. Como a carreira dos jovens talentos passa a ter um ritmo alucinante de viagens muito cedo, os mesmos podem se considerar pessoas muito experientes na vida, o que os tornam homens com visão de negócios.

Aos 15 anos, Pizzonia já era Tricampeão Paulista de Kart, depois de incontáveis viagens entre o eixo Manaus-São Paulo, e conseguiu então o título de Campeão Brasileiro no Rio Grande do Sul. Estas vitórias foram o impulso inicial para estrear nas corridas de carro nos Estados Unidos. Passando a competir nas categorias de base da Inglaterra, o manauara obteve títulos na Fórmula Vauxhall Junior, Fórmula Renault e Fórmula 3 Inglesa. Com uma rápida passagem pela F-3000 Internacional e um bom desempenho, foi inevitável o convite para a Fórmula 1, por onde pilotou pelas equipes Jaguar e Williams. Em 2006, disputou quatro provas da Fórmula Mundial, por coincidência em quatro países diferentes, já que esta é uma categoria basicamente norte-americana. Todo este currículo profissional trouxe consigo uma inevitável experiência em viagens, que poderemos acompanhar nos relatos do próprio piloto a seguir.

Viajar é uma fonte infinita de descobertas. Comecei a viajar muito cedo com os meus pais, muitas vezes de Manaus para São Carlos (SP), terra do meu pai, e nas férias para o Caribe, que fica perto do Amazonas. Não lembro exatamente quando e para onde fui pela primeira vez, eu era muito pequenininho, mas a experiência em viagens foi intensificada devido à minha profissão. Aos 16 anos de idade já estava morando fora do Brasil e, aos 19 anos, já tinha dado praticamente a volta ao mundo. Hoje, com 26, ainda há muito para eu conhecer. Para o futuro, gostaria de ir até a África, pois é uma região que ainda não tive a oportunidade de visitar.

Costumo dizer que o avião é a minha segunda casa, pois além de transitar pelos países onde participo das competições, também venho para o Brasil e procuro conhecer novos lugares durante o período sem corridas. Já tirei mais de 10 passaportes, pois sempre acabam as páginas antes do final da validade deles.

Aos leitores que gostam da beleza da natureza, inicialmente eu recomendo uma viagem para o Amazonas. No exterior, a dica é a Nova Zelândia. Além de ter uma paisagem belíssima, seus cidadãos sabem preservá-la. Particularmente, foi uma das melhores viagens que realizei, em 1997, e ainda não tive a oportunidade de retornar. Também me identifiquei com esta viagem pelos esportes radicais lá realizados, onde pude praticar alguns deles e me divertir bastante. Entretanto, da Europa até a Oceania é sempre uma viagem longa.

E falando em longos trajetos, recentemente fiz uma viagem bastante cansativa. Da Europa para o Havaí, saindo de Nice para Londres, de Londres para Los Angeles e, finalmente, Los Angeles para Honolulu. No total, incluindo tempo de espera em aeroporto, foram 31 horas viajando. Por outro lado, seria injusto dizer que isso estragou meus planos, pois minha passagem por Honolulu foi bastante agradável e animada.

É óbvio que ninguém gosta de esperar em aeroportos, ter atraso em seu vôo e muito menos ter a mala extraviada, mas atualmente se você não tem hora marcada para chegar ao local, é necessário esquecer estes imprevistos e tomar a iniciativa. O resultado final será muito positivo. Um dos fatores que melhora muito uma viagem pode ser sua própria organização. Para quem viaja a negócios constantemente, é indispensável uma programação durante sua estadia, para evitar estresses desnecessários, atrasos e perda de tempo.

Para o turismo propriamente dito, eu procuro conhecer um pouco da cultura local antes de visitar o país para evitar surpresas desagradáveis. A maioria dos países não tem tantos costumes diferentes, e uma pesquisa simples já resolve o caso. Porém, algumas regiões são totalmente diferentes de tudo já visto, e as descobertas chegam a ser fascinantes. A China foi o país que mais me chamou a atenção com toda sua cultura diferenciada do resto do mundo, resultado de uma civilização das mais antigas e que não teve tanto contato com a Europa, na antiguidade.

Já na questão da gastronomia, sou mais conservador. Não troco a comidinha brasileira por nada! Também gosto da cozinha italiana, mas esta já tem forte influência no Brasil, devido aos imigrantes que formaram gerações em nosso país.

Em relação à moradia, estou feliz hoje, residindo em Mônaco, também porque me facilita este ano, em minha profissão. Competirei pela GP2 Series, que é a categoria que corre nas preliminares da Fórmula 1 e tem 90% de seu calendário em pistas européias. Se eu pudesse escolher um lugar para morar, independente da minha profissão ou família (pois adoro ficar em Manaus com minha família e amigos), provavelmente escolheria Surfers Paradise, na Austrália, uma cidade litorânea que me encantou.