|
TIBURON GOLF
CLUB - NAPLES / FLORIDA
por Caio Ortiz
Vocês podem
imaginar a seguinte cena: num dos primeiros buracos do campo,
bati um drive com petente para o meu handicap 13, qualquer coisa
acima de 250 jardas, e minha bola “abriu” um pouquinho, rolando
caprichosa e lentamente para a direita, terminando sua trajetória
por desaparecer ao longe, na beira de um lago, estrategicamente
colocado ali por Greg Norman, o arquiteto do TIBURÓN, em Naples,
Flórida.
Me senti um
pouco frustrado com o resultado, mas meu parceiro Reynaldo, como
golfista - padrão de alto espírito competitivo, tratou de incentivar-me:
“Não se preocupe Caio, as coisas podem ficar ainda piores...”.
Sábias palavras de um golfista experiente, que sabe bem que ao
longo das quase três horas de duração de uma partida a dois, muita
coisa pode acontecer.
Pois bem,
caminhamos lentamente, em passos descontraídos de férias merecidas,
até chegarmos às bolas. Todo golfista sabe que “tem a honra” ou
bate primeiro no tee de saída, quem obteve o melhor resultado
no buraco anterior. Sabe também que, ao longo do buraco, a ordem
da seqüência de golpes é para aquele que está mais longe da bandeira
daquele buraco em curso.
Vocês se lembram
que eu disse ter dado uma tacada de saída competente para o meu
handicap 13, com cerca de 250 jardas? Pois bem, o Reynaldo, um
bom “pistoleiro” (sandbagger em inglês) de handicap 16, “passou-me
de vôo” e ficou perfeitamente instalado no meio da raia, perto
da marca das 270. Obviamente diante dessa situação, continuou
a pegar no meu pé, perguntando se estava jogando com alguma tia
velha, etc e tal...
Ao chegarmos
perto da murada de pedra do lago, qual não foi a minha agradável
surpresa ao ver minha bola branquinha, exuberante ao sol, sobre
a areia da beira do lago, que para minha sorte (?) estava baixo
e deixou uma margem que me favoreceu (?). Quando estou me preparando
para bater o meu segundo tiro para o green; aquela tacada de precisão
e prazer quando bem realizada, ouço o Reynaldo em tom aflito,
ou simulando aflição: “Caio, não bata, saia daí andando para frente,
devagarzinho, sem olhar para trás!” Minha resposta foi algo do
tipo: “Rê, não fica bem pra você fazer “falinha” neste momento
de concentração”!
“Não cara,
tô falando sério, sai daí rapidinho”.
Tornando
uma longa história curta, escapei por pouco de um crocodilo da
Flórida com seus mais de três metros, que tomava banho de sol
na mesma areia que a minha bola, ou talvez tenha julgado ser a
minha bola, um de seus ovos perdidos na véspera, no caso de ser
uma fêmea descuidada... Aproximei-me tão focado no assunto que
não reparei ser aquele tronco colocado ali à margem do lago, um
senhor crocodilo!
Este foi apenas
um dos momentos marcantes de minha experiência neste fantástico
campo desenhado por Normann, e que tem o nome de seu símbolo maior,
o tubarão. Normann é chamado de White Shark pela voracidade com
que competia e nocauteava seus adversários. Sinto saudades dos
bons tempos em que o víamos em ação, antes de uma delicada cirurgia
no ombro que o afastou um pouco dos campos nos últimos anos.
A Flórida
é um lugar abençoado para os praticantes de golfe. Lembro-me de
ter jogado no EMERALD DUNES, logo após a inauguração daquele que
se intitulava o milésimo campo da Flórida. Dá para imaginar um
estado com mais de mil campos de golfe?
O Brasil inteiro
deve ter por volta de 70 campos conhecidos, o que representa menos
campos de golfe do que a cidade de Orlando, que tem mais de 100.
Nos Estados Unidos, quase 30 milhões de pessoas praticam o golfe;
aqui no Brasil, menos de 15 mil!
Registre-se,
no entanto, o bom momento por que passa o golfe no Brasil. Há
realmente muito interesse em todas as camadas da população por
aproximar-se deste esporte tão seletivo, técnico, dinâmico, ainda
que pareça o contrário para os não iniciados. Patrocinadores estão
assumindo a liderança de aliarem suas imagens a um esporte nobre
como esse, que por sua técnica apurada e a tecnologia envolvida
no seu equipamento, recomenda bem. E, diga-se de passagem, ainda
custa pouco se aproximar do golfe, talvez não por muito tempo.
A primeira
emissora no Brasil a apostar no golfe como atração e que deu uma
excelente contribuição para impulsionar o esporte, foi a ESPN-BR
com o seu “Por dentro do Golfe”, uma iniciativa visionária do
Júlio Bartolo e da Regina Bueno. Outros programas estão aparecendo
como o recente PGA Golfe da Band Esportes, que comprou todo o
tour 2005 da Associação dos profissionais de golfe dos Estados
Unidos, o campeonato de golfe mais competitivo e espetacular do
mundo, com eventos ao longo do ano todo.
Uma das maiores
atividades relacionadas ao golfe é o chamado turismo de golfe.
Os jogadores adeptos deste esporte só viajam para lugares, cidades
ou resorts onde o golfe possa ser praticado. O turismo de golfe
é um fato importantíssimo na vida das pessoas, na movimentação
e na economia de alguns países e no incentivo de viagens e desenvolvimento
de intercâmbios culturais e esportivos.
Quero dar
a vocês algumas razões do porquê se viaja tanto com o golfe. Nada
tenho contra os outros esportes, até porque pratiquei e ainda
pratico vários deles, cito como exemplos, cuspe à distância, levantamento
de copos, empilhamento de bolachas de chopp, e tantos outros...
Brincadeiras
à parte, o golfe é um esporte que:
1 - Pode ser praticado por pessoas dos 8 aos 80 anos.
2 - Não requer performance física excepcional (o golfe é um esporte
técnico, de movimento suave e preciso, ao contrário do que se
pensa)
3 - Em um campo de 18 buracos - o padrão de um campo oficial -
nenhum buraco é igual ao outro. Cada um tem seu desenho, sua flora,
sua fauna e suas dificuldades particulares. Imaginem o que dizer
de um campo em relação ao outro. Você nunca sabe o que vai encontrar.
É um eterno descobrir!
4 - A beleza destes palcos em que jogamos é algo muitas vezes
indescritível. O cuidado com estes cenários envolve agrônomos,
arquitetos, paisagistas, administradores totalmente envolvidos
em criar, implementar e manter maravilhosamente saudáveis estes
paraísos que nos abrigam, em todas as partes do mundo.
E foi assim,
numa viagem de turismo de golfe, que nós chegamos até Naples,
na costa oeste da Flórida, próximo a Tampa Bay. Naples traduz-se
em português como Nápoles. Não confundir com a cidade do sul da
Itália de características diametralmente opostas. Naples é uma
cidade litorânea muito bonita, com suas gaivotas características
e muitos pelicanos. Paraíso de aposentados ricos americanos, sofisticada
em suas lojas e restaurantes, recheada de marinas a ostentar todo
o poderio da economia americana em pés náuticos.
Poucas vezes
na minha vida vi uma cidade pequena, com tantos bancos e corretoras
de valores, a cuidar das aposentadorias abastadas dos habitantes
do lugar. Não parece ser um lugar para jovem, mas para quem quer
qualidade de vida e sossego. Disse para minha mulher que era um
lugar onde eu gostaria de me aposentar, mas ela não concordou
muito não.
Havíamos lido
sobre o TIBURÓN num artigo como este e ficamos vidrados em conhecer
o campo onde Greg Norman construiu dois fantásticos condomínios
com seu próprio nome: ‘Norman States”. A fama do TIBURÓN já corria
solta, muito menos pelos crocodilos que também se aproveitam deste
cenário, e muito mais pela verdadeira obra prima que é este campo.
TIBURÓN é um convite ao prazer, a partir da chegada em sua Club
House grandiosa, toda em cinza e branca, bem característica daquele
estilo de construção semi-pronta, porém de alta qualidade.
A sede se
impõe em seus dois andares, sendo o térreo composto de ambientes
bastante agradáveis, com vastas poltronas e sofás de couro, bem
ao estilo inglês, um restaurante bem americanizado com enormes
janelas envidraçadas que dão sobre o tee de saída do buraco nº
1 e o green do 18, com seu portentoso lago que quase o abraça,
criando um desafio adicional para o tiro de chegada. No andar
de baixo, servido por pelo menos três escadas em diferentes posições
do imóvel, estão algumas instalações de sanitários, saunas, massagens
e uma excepcional PRO SHOP, com todos os artigos imagináveis,
com grifes internacionais e, obviamente, uma bela coleção dos
produtos de Greg Norman.
O serviço
de carrinhos é perfeito, contendo inclusive aquele computador
de bordo que lhe dá sempre a distância à bandeira de qualquer
lugar onde você se encontre em cada buraco. Todas as facilidades
de aluguel de qualquer equipamento para a prática do golfe estão
disponibilizadas fazendo o turista incauto, sentir-se em casa.
Tudo isto
sem contar que o TIBURÓN fica a 5 minutos de um outro fantástico
campo de golfe, mais antigo, mas, igualmente, de raríssima qualidade:
o “Pelican’s Nest”. Mas este é um assunto para uma outra vez...
Caio
Ortiz é empresário e diretor presidente da UPgrade Comunicação.
Golfista há mais de 40 anos, traz um relato envolvente e divertido
de um de seus campos prediletos.
|