|
MEUS TREZE
ANOS AO LADO DO MoMA
por Kim Esteve
A cidade de
Nova York é uma referência internacional, por representar um dos
mais importantes pólos culturais do planeta. E para os amantes
e admiradores da arte, o novo Museu de Arte Moderna da cidade
é um dos lugares obrigatórios para se visitar. Sua coleção é a
mais completa e representativa da Arte Moderna, com obras de grandes
ícones mundiais. Portanto, se você estiver em Nova York, não deixe
de visitar esta coleção e apreciar o que há de melhor.
O Museu de
Arte Moderna de Nova York (MoMA) foi fundado em 1929 por Lillie
P. Bliss, Mary Queen Sullivan e Abby Aldrich Rockefeller como
um instituto educacional. Foi o primeiro museu a concentrar seu
acervo inteiramente na Arte Moderna e até hoje se dedica a ser
o número um do mundo. Mantém desde o início o compromisso de preservar
e documentar sua coleção permanente em um alto nível, refletindo
a vitalidade e a complexidade do modernismo. O acervo do MoMA
começou a partir da doação de oito gravuras e um desenho e hoje
possui mais de 100 mil obras.
Na busca
do constante aperfeiçoamento de suas instalações, dez anos depois
de sua fundação, em 1939, uma nova estrutura foi desenvolvida
por Phillip L. Goodwin e Edward Durell Stone. Desde então outras
reformas aconteceram, inclusive com alguns projetos de Phillip
Johnson. Em 2004, depois de algum tempo fechado para reconstrução,
o MoMA reabriu as suas portas – e o responsável por esta reestruturação
foi Yoshio Taniguchi, um conceituado arquiteto japonês.
A escolha
do projeto de Taniguchi foi um processo minucioso, que incluiu
até mesmo uma visita a Tóquio por parte do Conselho Internacional
do MoMA, do qual eu também faço parte. Durante esta viagem tivemos
a oportunidade de conhecer e estudar os principais projetos já
executados deste arquiteto em seu país natal. Depois de toda esta
análise, Taniguchi foi o escolhido por corresponder exatamente
às necessidades e ao perfil desejado pelo museu, para a sua reconstrução.
Vínculos
O comitê especial do Museu de Arte Moderna de Nova York, conhecido
como Conselho Internacional, é formado por membros convidados
entre importantes colecionadores do mundo inteiro. Estes convites,
que partem do MoMA, não obedecem critérios fixos. Geralmente as
pessoas mais interessantes possíveis são convidadas. Nenhum conselheiro
trabalha diretamente ligado à arte, somos todos apenas colecionadores
apaixonados e dedicados – o que se torna extremamente valioso
e enriquecedor para o museu.
As atividades
realizadas pelo nosso grupo sustentam o Programa Internacional
do MoMA, que patrocina uma ampla gama de exposições, filmes, atividades
educacionais e publicações dirigidas a diversos públicos na América
Latina, Europa, Austrália, Japão e Estados Unidos.
Tive a honra
de ser convidado para integrar o Conselho em 1992. Na época, os
outros brasileiros que já faziam parte deste seleto grupo eram
José Mindlin, Leda e Maneco Brito, Beatriz Pimenta Camargo, Israel
Klabin e Walther Moreira Salles. Mais tarde integraram-se a nós
Milu Vilela, Andrea e José Olympio Pereira e Francis Reynolds.
Desde então,
venho acompanhando o grupo em vários encontros e viagens. Todos
os anos nos reunimos pelo menos duas vezes: em uma reunião em
Nova York, no outono, e em uma viagem, na primavera. O Encontro
de Primavera do Conselho patrocina programas de eventos culturais
e sociais, introduzindo os membros convidados a importantes coleções
e instituições de arte. Além disso, promove visitas e atividades,
elaboradas e administradas pelo Programa Internacional do museu
e patrocinados pelo Conselho. O intercâmbio de experiências e
conhecimento é sempre muito rico e as amizades desenvolvidas dentro
do Conselho são muito especiais.
Depois de
mais de 20 anos passados desde a última visita ao Brasil, o Encontro
de Primavera de 2005 será aqui, no nosso país. A viagem do Conselho
ao Brasil será muito importante para a arte nacional como um todo
e movimentará muito todas as pessoas envolvidas neste cenário.
Todo o roteiro
de visitas está excelente e muito completo, graças a um planejamento
que já vem sendo feito há mais de um ano. Passaremos por Belo
Horizonte (inclusive pelo espaço do Bernardo Paz) e visitaremos
coleções particulares, museus e galerias de São Paulo e do Rio
de Janeiro. Do Brasil, seguimos viagem para a Argentina e Chile.
Nosso grupo é formidável e muito ativo, o que acaba refletindo
no clima das viagens, onde a troca de impressões e comentários
é constante.
O acervo
do MoMA
Existe uma preocupação contínua em manter o alto nível do acervo
do MoMa. A responsabilidade fica a cargo dos curadores, que estudam
intensamente o panorama artístico mundial antes de adquirir qualquer
nova obra de arte. Este trabalho é independente das ações promovidas
pelo Conselho Internacional. É claro que, indiretamente, indicamos
alguns artistas e obras e as nossas opiniões chegam a influenciar,
mas a decisão final cabe somente à curadoria.
Os artistas
brasileiros também estão presentes na coleção do museu. Na sua
exposição de reabertura figuraram obras de Helio Oiticica, Lygia
Clark, Waltercio Caldas, Vik Muniz e Beatriz Milhazes, entre outros.
Isso não exclui
outros artistas nacionais, já que, invariavelmente, os olhos permanecem
voltados à todas as produções expressivas e representativas. Uma
grande oportunidade para os nossos artistas será esta viagem do
Conselho ao Brasil. É uma forma de aproximar estes formadores
de opinião à produção nacional, para que se conheça o que há de
mais interessante na atualidade.
KIM
ESTEVE, um dos mais conhecidos colecionadores do Brasil, também
é especialista em receber personalidades do cenário da arte em
sua casa. Como membro do conselho do MoMA, relata um pouco de
sua vivência junto ao maior museu de arte moderna no mundo.
|